Pressão e Acusações em Sigilo
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estaria utilizando a ameaça de um processo criminal contra a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, como ferramenta de pressão para garantir a cooperação de Caracas com as diretrizes americanas. A informação, divulgada pela agência de notícias Reuters com base em relatos de quatro fontes anônimas, indica que procuradores federais teriam reunido evidências de possíveis acusações de corrupção e lavagem de dinheiro contra Rodríguez.
Embora a Reuters não tenha tido acesso aos documentos formais das acusações, a investigação estaria sendo conduzida pelo Ministério Público dos EUA em Miami e focada no suposto envolvimento de Rodríguez com a lavagem de dinheiro da estatal petrolífera venezuelana PDVSA, em atividades que teriam ocorrido entre 2021 e 2025. Paralelamente à minuta de acusação, as autoridades americanas teriam apresentado a Rodríguez uma lista de pelo menos sete ex-dirigentes do partido, associados e familiares, exigindo sua prisão ou custódia para possível extradição.
Negações e Declarações Conflitantes
Em resposta à reportagem, o Departamento de Justiça dos EUA se recusou a comentar. No entanto, Todd Blanche, vice-procurador-geral, classificou a notícia como “Completamente FALSO” em sua conta na rede social X, questionando a origem da informação.
A notícia surge em um contexto de relações tensas e, ao mesmo tempo, de aproximação entre os governos. Dois meses após a captura de Nicolás Maduro pelos EUA, que o mantém preso em Nova York, a administração Trump parece intensificar sua estratégia de influência sobre o regime venezuelano. Anteriormente, Trump havia ameaçado Rodríguez com um “preço muito alto” caso não cooperasse. Contudo, em fevereiro, o presidente americano elogiou a presidente interina, descrevendo a relação entre os dois países como “ótima” e “nota 10”, destacando a colaboração na questão do petróleo.
O Jogo Diplomático e as Declarações Públicas
Trump chegou a anunciar planos de visitar a Venezuela e reconheceu Rodríguez como representante oficial do governo, afirmando que ambos os lados estavam “trabalhando em estreita colaboração”. Ele também mencionou que a produção de petróleo venezuelano estava sendo retomada, prometendo grandes fluxos de receita para o país. Delcy Rodríguez, por sua vez, confirmou ter recebido um convite para visitar os Estados Unidos e que estava considerando a proposta.
Apesar dessas declarações de aparente harmonia, Rodríguez expressou recentemente, em janeiro, seu descontentamento com as “ordens de Washington”, pedindo que a política venezuelana resolvesse seus próprios conflitos internos sem interferência estrangeira. A advogada de 55 anos, com vasta experiência em cargos governamentais desde a era Hugo Chávez, é conhecida por sua postura combativa em momentos de crise institucional.
Fonte: g1.globo.com
