Cientistas conseguem preservar e reativar funções cerebrais de camundongos após congelamento criogênico

A criogenia, que antes parecia ficção científica, dá um passo importante rumo à realidade.

Inspirados pela antiga lenda de Walt Disney ter sido congelado, cientistas alemães da Universidade de Erlangen-Nuremberg alcançaram um feito notável: preservar e reativar funções cerebrais essenciais de camundongos após o congelamento criogênico. O estudo, publicado na renomada revista Proceedings of the National Academy of Sciences, demonstra avanços significativos na vitrificação de tecidos nervosos, uma técnica que promete revolucionar a medicina.

Vitrificação: A chave para congelar sem danificar.

O principal obstáculo no congelamento de órgãos e tecidos sempre foi a formação de cristais de gelo, que danificam a delicada estrutura celular. A equipe de pesquisa superou esse desafio ao substituir grande parte da água nos tecidos cerebrais por solventes polares. Esse método permite que o líquido congele rapidamente, formando uma estrutura semelhante a vidro, onde as moléculas ficam imobilizadas sem a criação de cristais prejudiciais. Inicialmente, a técnica foi aplicada em fatias finas de cérebro de camundongos, focando no hipocampo, a área crucial para aprendizado e memória.

Sinais de vida após o descongelamento.

Após o processo de congelamento a -196°C e subsequente descongelamento, as fatias cerebrais apresentaram resultados animadores. As membranas dos neurônios e sinapses permaneceram intactas, e sinais de atividade elétrica foram detectados. As mitocôndrias continuaram funcionando, e os neurônios responderam a estímulos. Mais importante, o fortalecimento sináptico, processo fundamental para a formação de memórias, foi observado nas vias neuronais do hipocampo.

Cérebros inteiros e o futuro da criogenia.

Motivados pelos resultados em fatias, os cientistas expandiram o experimento para cérebros inteiros de camundongos. Mesmo após oito dias vitrificados, as vias neuronais, incluindo as do hipocampo, mantiveram-se em grande parte intactas, preservando o potencial para o fortalecimento sináptico. Embora a taxa de sucesso tenha sido menor em comparação com as fatias, o feito abre um leque de possibilidades. A equipe planeja agora testar a vitrificação em tecidos cerebrais humanos e outros órgãos, como o coração, que já foram preservados criogenicamente em roedores, juntamente com rins e fígado. Os avanços nesta área podem ser cruciais para bancos de doação de órgãos e para a proteção do cérebro contra doenças e lesões, aproximando a ciência da promessa de uma vida mais longa e saudável.

Fonte: super.abril.com.br

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