Sanfona, zabumba e triângulo rumam para o reconhecimento mundial
A sanfona, a zabumba e o triângulo, instrumentos que embalam a alma do Nordeste, serão o centro das atenções em um evento marcante nesta quarta-feira (18), às 17h, no Theatro Santa Roza, em João Pessoa. A celebração do forró de raiz, expressão autêntica da cultura nordestina, congrega artistas renomados, gestores culturais e o público em geral para dar um passo crucial na candidatura da modalidade a Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). A iniciativa, liderada pela Secretaria da Cultura da Paraíba e pelo Consórcio Nordeste, terá como ponto alto a entrega do protocolo de intenções ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Um Compromisso com a Identidade Nordestina
O secretário de Estado da Cultura, Pedro Santos, ressaltou a importância da candidatura para a preservação e valorização de uma tradição intrinsecamente ligada à identidade do povo nordestino e brasileiro. “Reforço o compromisso do Governo da Paraíba, da Secretaria de Cultura, de abrir portas para que essa candidatura se viabilize. Assinamos com o Iphan a missão de que o forró é o próximo candidato a ser submetido à UNESCO. Esta audiência pública é mais um requisito que soma forças no dossiê para que o forró de raiz seja reconhecido como patrimônio da humanidade”, declarou.
Jornada de Articulação e Mobilização
O processo de candidatura do forró de raiz à UNESCO é resultado de uma articulação que se estende por anos. Um marco importante foi a assinatura de um protocolo de intenções em setembro de 2025, durante o Festival Internacional do Forró de Raiz em Lille, na França. Representantes do Consórcio Nordeste, do Iphan e do Fórum Nacional do Forró de Raiz selaram o compromisso de encaminhar a candidatura. Joana Alves, presidenta da Associação Cultural Balaio Nordeste, destaca que essa mobilização envolveu forrozeiros, mestres, pesquisadores e guardiões da cultura popular de todo o Brasil, visando a valorização e a preservação do gênero. “O título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade é um instrumento de proteção viva, que assegura às futuras gerações o direito de herdar, praticar e reinventar essa tradição centenária”, afirmou.
Do Reconhecimento Nacional ao Palco Mundial
Pedro Santos explicou que o evento desta quarta-feira encerra um ciclo iniciado há mais de uma década, com a busca pelo reconhecimento do forró como patrimônio nacional – título conquistado em 2021. Agora, o foco se volta para o cenário internacional. O cantor Maciel Melo celebrou a iniciativa: “Forró como patrimônio da cultura imaterial da humanidade será nesse dia 18 no Theatro Santa Roza, em João Pessoa. Não paga nada. Vamos construir juntos esse movimento musical, cantar e tocar. Eu estarei lá contribuindo com toda a nossa cultura e nossa arte. Nosso povo, nosso forró. Vai ser lindo demais.” O forró de raiz, popularizado por Luiz Gonzaga, é considerado um elo entre gerações e um símbolo da riqueza cultural nordestina, buscando agora um lugar de destaque ao lado de outras manifestações brasileiras já reconhecidas pela UNESCO, como o samba de roda e o frevo.
Convites e Celebração Cultural
O evento contará com apresentações de artistas como Helayne Cristini, Luizinho Calixto, Sandra Belê, Luiz Bento, Gitana Pimentel, Maciel Melo, Deusa do Forró e Os 3 do Nordeste. Nas redes sociais, Os 3 do Nordeste convidaram o público: “Oi galera, passando para convidar todos vocês para estarmos juntos na candidatura do forró de raiz como patrimônio cultural imaterial da humanidade. Vai ser a partir das 17 horas lá no Theatro Santa Roza. Com a gente tem muita gente boa que vai se apresentar e Os 3 do Nordeste vai tocar para vocês. Vamos embora, nosso forró de raiz, menino.” A cantora Deusa do Forró também reforçou o convite, convocando os “gonzaguianos e forrozeiros do Nordeste” para celebrar este momento histórico. A iniciativa reafirma, em um contexto de pressões comerciais sobre a cultura popular, a importância histórica e a permanência do forró de raiz “na alma do povo brasileiro”, segundo Joana Alves.
Fonte: www.brasildefato.com.br
