Guerra de Bukele contra gangues em El Salvador: Mais de 500 presos mortos em 4 anos, aponta ONG

ONG denuncia mortes em massa em presídios salvadorenhos

Uma organização de direitos humanos (SJH) divulgou um relatório alarmante sobre as mortes de detentos em El Salvador nos últimos quatro anos, período em que o presidente Nayib Bukele implementou um estado de exceção para combater gangues. Segundo a ONG, mais de 500 presos teriam morrido desde 2020, com um terço desses óbitos atribuídos à falta de atendimento médico adequado. A organização critica a falta de transparência do governo e aponta que cerca de 30% das mortes foram classificadas como violentas, embora em muitos casos a causa específica não tenha sido determinada.

Condições desumanas e acusações de tortura

O relatório da SJH detalha a precariedade das condições nos presídios, com poucas inspeções policiais adequadas, mesmo em casos de corpos com sinais de violência. A ONG também denuncia a negação de medicamentos e assistência médica a detentos com doenças crônicas, como diabetes, qualificando a prática como “tortura e tratamento desumano”. Segundo a organização, esses atos podem configurar crimes contra a humanidade devido à sua natureza generalizada e sistemática contra a população sob custódia do Estado.

Regime de exceção e prisões em massa

O estado de exceção, em vigor há quatro anos, permitiu a detenção de aproximadamente 91 mil pessoas sem mandado judicial. Essa política tem sido a base da alta popularidade de Nayib Bukele, que é creditado por ter reduzido drasticamente os índices de homicídio no país e por desarticular as poderosas gangues Mara Salvatrucha e Barrio 18, consideradas organizações terroristas.

Controvérsias e críticas internacionais

Apesar do apoio popular interno, as ações de Bukele e as condições em seus presídios têm gerado críticas de organizações internacionais e familiares de detentos. A falta de dados oficiais e a dificuldade em verificar as causas das mortes alimentam as preocupações sobre o respeito aos direitos humanos no país durante a chamada “guerra contra as gangues”.

Fonte: g1.globo.com

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