Crise Ambiental Exige Superação do Capitalismo e do Agronegócio
Porto Alegre foi palco de um intenso debate sobre a crise climática e a reforma agrária, onde a superação do capitalismo foi apontada como caminho fundamental para um futuro sustentável. A avaliação foi um dos pontos centrais da mesa “A luta contra o negacionismo climático e pela reforma agrária no contexto da crise ambiental”, realizada durante a 1ª Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos. O evento reuniu lideranças de movimentos sociais, pesquisadores e ativistas de diversas partes do mundo, unindo vozes na crítica ao modelo capitalista e suas consequências ambientais.
Ecossocialismo: A Proposta para os Desafios do Século XXI
O conceito de ecossocialismo, apresentado pelo pensador marxista francês Michael Löwy, norteou parte das discussões. Löwy enfatizou que “uma ecologia que não é socialista não tem futuro, e que um socialismo que não é ecológico não está à altura dos desafios do século XXI”. Para ele, o ecossocialismo não é apenas um item de programa, mas o eixo central para uma alternativa ao sistema capitalista. No contexto brasileiro, o agronegócio foi duramente criticado por Löwy como um vetor de destruição ambiental e um pilar de sustentação de forças de extrema direita, associando o modelo agrário a práticas nefastas e fascistas. A defesa de uma reforma agrária radical, baseada na agricultura camponesa, na soberania alimentar e na produção orgânica, foi destacada como essencial, com exemplos de sucesso do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Reforma Agrária Popular e a Luta Contra o Negacionismo Climático
Lara Rodrigues, dirigente nacional do MST, mediou a mesa e ressaltou a importância do enfrentamento ao negacionismo climático como um eixo crucial na disputa política atual. Ela definiu a reforma agrária como popular, buscando garantir que o povo seja protagonista e viva em paz, e que a crise climática impõe a necessidade de mudanças estruturais profundas. João Pedro Stédile, também dirigente nacional do MST, reforçou por vídeo a ideia de que a crise ambiental é uma expressão da crise estrutural do capitalismo, que não consegue mais atender às necessidades da população e se sustenta pela exploração de recursos naturais e conflitos. Stédile apresentou dados alarmantes sobre as emissões de gases de efeito estufa no Brasil, apontando o desmatamento, o transporte individual e a pecuária intensiva ligada ao agronegócio como os principais responsáveis. Ele defendeu o desmatamento zero, a expansão da agroecologia e a melhoria do transporte público como alternativas urgentes, declarando que “não é possível garantir vida saudável e alimentação adequada dentro do capitalismo”.
Racismo Ambiental e a Necessidade de Ruptura nas Políticas Públicas
Vânia Marques Pinto, presidenta da Contag, trouxe à tona a questão da concentração fundiária e o racismo ambiental, onde os impactos da crise climática recaem desproporcionalmente sobre populações vulneráveis, indígenas e negras. Ela contrapôs a agricultura familiar ao agronegócio, criticando a narrativa dominante que vende o modelo em larga escala como superior. A dirigente defendeu o fim dos subsídios aos combustíveis fósseis e a derrota do fascismo como passos fundamentais para combater o negacionismo climático. Omar Aziki, da Attac/CADTM Marrocos, apresentou uma perspectiva internacional, alertando para a exploração de terras e povos na África e a relação entre crise ambiental, guerras e conflitos geopolíticos. Zé Corrêa, do Fórum Amazônico, classificou a crise ambiental como uma “catástrofe capitalista”, alertando para pontos de não retorno nos sistemas naturais e a impossibilidade de uma transição energética justa dentro do capitalismo. Annie Hsiou, do Andes-SN, e Jairo Bolter, da UFRGS, reforçaram a necessidade de incorporar o ecossocialismo nas políticas públicas, criticaram a instalação de grandes empreendimentos em áreas de risco e defenderam o apoio à agricultura familiar e práticas sustentáveis. O encerramento reforçou a convicção de que a solução passa por uma reforma agrária ampla e massiva, e que um “novo tempo pode chegar, um tempo ecossocialista, justo, solidário, internacionalista, antifascista, socialista e, principalmente, feminista”.
Fonte: www.brasildefato.com.br
