Protesto em SP Denuncia Desmonte da Cultura sob Gestão de Ricardo Nunes Após Demolição de Teatro e Ameaças a Espaços Tradicionais

Manifestação contra a Gestão Cultural em São Paulo

Centenas de trabalhadores da cultura se reuniram em frente ao Teatro Municipal, em São Paulo, para protestar contra o que chamam de “desmonte sistemático das políticas públicas” promovido pela gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB). O ato ocorreu após a demolição do Teatro de Contêiner, no centro da cidade, desapropriado para a construção de moradias sociais. Marcos Felipe, um dos fundadores do Teatro de Contêiner, criticou as ações da prefeitura, que segundo ele, favorecem a especulação imobiliária e a destruição de espaços artísticos históricos.

“O ato mostra que foram ultrapassados todos os limites de violência praticados pela prefeitura e pelo governo do estado. Eles estão acabando com todos os movimentos e espaços de cultura popular. A especulação imobiliária a serviço e em parceria com o Estado está acabando com tudo. Não iremos mais suportar tamanha violência e apagamento cultural na cidade de São Paulo”, declarou Felipe.

Ameaças a Outros Espaços Culturais

A manifestação também levantou a pauta do fechamento do Samba do Cruz, importante reduto cultural da população negra na zona norte, e a ameaça de desapropriação do Teatro Popular União e Olho Vivo (TUOV), com mais de 50 anos de história. Cesar Pivetta, integrante do TUOV, ressaltou a importância da cultura como um direito e convocou a população a apoiar a luta dos artistas e apreciadores de arte.

Oswaldo Ribeira, diretor do TUOV, apontou que a prefeitura utiliza projetos grandiosos, como o Boulevard Marquês de São Vicente, para forçar a remoção de locais culturais populares. Ele enfatizou a necessidade de união para garantir a permanência do TUOV e a reconstrução de outros espaços como o Teatro de Contêiner e o Teatro Ventoforte, além da preservação do Samba do Cruz.

Denúncias de Irregularidades e Falta de Transparência

O protesto também abordou o que os manifestantes classificam como uma “máfia da cultura”, com supostas irregularidades em órgãos como a SPTuris e a Secretaria Municipal de Cultura (SMC). O Movimentos Culturais da Cidade de São Paulo (MCCSP) divulgou nota apontando um favorecimento a grandes empresas em detrimento da cultura local e investigações sobre a empresa MM Quarter Produções, que teria recebido milhões em contratos com suspeitas de ligações com ex-secretários.

As denúncias incluem o repasse de R$ 545 milhões entre 2022 e 2026 para um grupo de empresas e ONGs com conexões suspeitas, o financiamento de eventos como o Carnaval de Rua e o Natal Iluminado, e a isenção de cobrança pelo uso do Autódromo de Interlagos para o Lollapalooza. Além disso, apontam para a superlotação e dispersão violenta em megablocos de carnaval, enquanto blocos tradicionais sofrem com escassez de recursos, e cachês exorbitantes para artistas supostamente ligados a políticos governistas.

Congelamento Orçamentário e Exigência de Transparência

A situação orçamentária da SMC também é um ponto de discórdia. Trabalhadores culturais denunciam a subexecução e o congelamento de verbas para fomento cultural. Dados indicam que em 2025, cerca de 35% do orçamento aprovado na Lei Orçamentária Anual (LOA) foi cortado. Zé Renato, produtor cultural e membro do MCCSP, criticou a redução de verbas destinadas a programas de formação e difusão cultural.

Os agentes culturais exigem a implementação do Sistema Municipal de Cultura, com controle social e participação popular real, e a elaboração de um novo Plano Municipal de Cultura, discutido com a sociedade civil, para os próximos dez anos. Olivia de Lucas, também do MCCSP, criticou a falta de transparência na execução de verbas da secretaria, especialmente em relação aos recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), e a super suplementação em rubricas de contratação direta e Virada Cultural, em detrimento de valores do cotidiano cultural da cidade.

Fonte: www.brasildefato.com.br

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