Passagens Aéreas Vão Subir? Entenda o Impacto do Aumento do Querosene de Aviação e Saiba se é Hora de Comprar Agora

Aumento no Combustível das Aeronaves

Um reajuste de 55% no preço do querosene de aviação (QAV) anunciado pela Petrobras deve impactar diretamente o bolso dos passageiros nos próximos meses. A alta, que segue uma tendência de aumento já observada em março, é reflexo de um cenário geopolítico global instável, com a ofensiva americana e israelense contra o Irã elevando a expectativa de aumento nos preços de combustíveis em geral.

Especialistas apontam que o impacto no preço das passagens aéreas pode se concretizar em até três meses. Viviane Falcão, professora de Economia dos Transportes Aéreos da UFPE, recomenda que quem planeja viajar de avião compre as passagens o quanto antes. Segundo ela, mesmo com as companhias aéreas fechando contratos de combustível com antecedência, a chegada das férias e do segundo semestre, períodos de maior demanda, tende a acelerar o repasse do aumento.

Projeção de Alta nas Passagens

Falcão estima uma elevação de 15% a 20% nas passagens aéreas apenas em função do aumento do barril de petróleo. O querosene de aviação representa aproximadamente um terço dos gastos operacionais das companhias aéreas. Com os reajustes recentes, esse percentual pode saltar para cerca de 45%, segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear).

Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), corrobora a projeção de alta e destaca a necessidade de adaptação à conjuntura econômica global. Ele também alerta para a possibilidade de redução no número de voos pelas companhias aéreas, uma tendência já vista em outros países, o que pode levar a voos ainda mais lotados, visto que as empresas já operam com alta ocupação.

Fatores Globais e Nacionais

A valorização do petróleo, impulsionada pelo fechamento do Estreito de Ormuz em decorrência da guerra no Irã, é o principal motor da alta no QAV. Apesar de o Brasil produzir cerca de 80% do querosene consumido internamente, o preço segue o mercado internacional. Pires ressalta que essa guerra tem uma particularidade, causando uma disrupção na oferta de gás e petróleo que não se viu em momentos anteriores.

Em contrapartida, a Petrobras anunciou condições de pagamento especiais para as distribuidoras de combustível, permitindo um aumento inicial menor e o parcelamento do restante. Essa medida pode diluir o impacto nas passagens, mas Falcão expressa preocupação com a sustentabilidade dessa política a longo prazo, dependendo da conjuntura geopolítica internacional.

Medidas Governamentais em Análise

O Ministério de Portos e Aeroportos encaminhou ao Ministério da Fazenda propostas para mitigar o impacto no setor aéreo. Entre as sugestões estão a redução temporária de tributos sobre o QAV, a diminuição do IOF para companhias aéreas e a queda do Imposto de Renda sobre leasing de aeronaves. Há também a análise da criação de uma linha de crédito do Fundo Nacional da Aviação Civil (Fnac) para financiamento de combustível.

Para Pires, voar é um serviço essencial no Brasil, sem substitutos viáveis devido à extensão territorial e à infraestrutura de transporte. Falcão conclui que o cenário atual pode levar a população a arcar com os custos de anos de negligência com o transporte aéreo por parte do Estado.

Fonte: g1.globo.com

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *