A Oncoclínicas está considerando a possibilidade de solicitar proteção judicial contra credores de forma preventiva, como uma medida para gerenciar sua atual situação financeira. Uma das opções em análise seria a abertura de uma cautelar de mediação com os detentores de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), um tipo de título lastreado em recebíveis imobiliários no Brasil, em vez de um pedido cautelar mais abrangente. No entanto, fontes indicam que nenhuma decisão definitiva foi tomada até o momento.
A empresa tem enfrentado atrasos no fornecimento de tratamentos oncológicos, reflexo de um processo de enxugamento em curso. A Oncoclínicas tem ajustado seu quadro de funcionários e sua rede de clínicas, tendo cortado cerca de 70 postos de trabalho nas últimas semanas. A companhia não comentou sobre as informações.
Crise e Endividamento no Setor de Saúde
A Oncoclínicas faz parte de um grupo de empresas do setor de saúde brasileiro que buscam reduzir seus níveis de endividamento após um período de expansão acelerada. As altas taxas de juros, que permanecem em dois dígitos, têm adicionado desafios às perspectivas do setor. A dívida da empresa é denominada em moeda local, sem a emissão de títulos globais, segundo dados compilados pela Bloomberg.
O cenário corporativo brasileiro tem sido marcado por recentes desdobramentos negativos no crédito, com empresas como Raízen e GPA buscando recuperação extrajudicial e a Alliança Saúde também solicitando medida cautelar.
Preocupações com Governança e Liquidez
O possível movimento da Oncoclínicas ocorre em um momento delicado, com investidores demonstrando preocupações sobre potenciais conflitos de interesse e práticas de governança, em parte devido aos vínculos da empresa com o Banco Master. Adicionalmente, a companhia adiou a divulgação de seus resultados financeiros de 2025, que estava prevista para 30 de março, para 9 de abril.
Segundo informações anteriores do Valor Econômico, a Oncoclínicas, que enfrenta um problema de liquidez com recursos suficientes para aproximadamente 15 dias, teria três propostas para lidar com a situação. Essas ofertas surgiram após cerca de 3 mil pacientes terem vivenciado atrasos de aproximadamente uma semana no atendimento oncológico, com os casos mais graves sendo encaminhados a hospitais parceiros, conforme reportado pelo jornal com base em fontes não identificadas.
Fonte: investnews.com.br
