Maternidade no Esporte de Alto Rendimento: Atletas Quebram Tabus e Ganham Apoio de Ligas e Confederações
De surfistas a jogadoras de vôlei e futebol, a realidade de ser mãe e atleta profissional está se transformando, com novas políticas e suporte financeiro impulsionando essa mudança.
Por muito tempo, a maternidade representou um ponto final na carreira de atletas de alto rendimento. A necessidade de escolher entre a profissão e a família era uma realidade dura, marcada por poucas exceções, como a jogadora de vôlei Isabel Salgado, que atuou grávida por meses na década de 80. No entanto, o cenário esportivo tem passado por uma revolução, com ligas e confederações mudando seu posicionamento e oferecendo suporte para que as mulheres possam conciliar a carreira com a maternidade.
CBF e o Apoio às Mães do Futebol Feminino
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) deu um passo importante ao anunciar que custeará as viagens de filhos de atletas em fase de amamentação. Essa medida já beneficia jogadoras como Ketlen Wiggers, atacante do Santos, que se tornou mãe em novembro de 2025. Mesmo durante a gestação, Ketlen continuou treinando e retornou aos gramados apenas quatro meses após o nascimento de seu filho, Lucca. Segundo a CBF, quatro jogadoras já utilizaram esse benefício, demonstrando o impacto positivo da iniciativa.
Surf e a Onda da Maternidade
No surfe, a medalhista olímpica Tati Weston-Webb deu à luz sua primeira filha, Bia Rose, em fevereiro deste ano. Embora sua gravidez tenha ocorrido durante um ano sabático, Tati participou de uma etapa do circuito mundial em 2025, já gestante de 17 semanas. A World Surf League (WSL) também implementou o “convite de maternidade”, que permite que atletas retornem diretamente ao circuito principal após a licença-maternidade, sem precisar passar pelas divisões de acesso. Embora Tati não possa usar este benefício nesta temporada, a medida representa um avanço significativo para o esporte.
Vôlei: Uma História de Superação e Conquistas
O vôlei possui um histórico rico em atletas que desafiaram as expectativas ao vivenciar a maternidade enquanto competiam. Além de Isabel Salgado, jogadoras como Pri Heldes, Paula Pequeno, Karine Guerra e Tandara Caixeta atuaram durante a gestação. Tandara, inclusive, foi pioneira ao buscar seus direitos trabalhistas na justiça contra a redução de seu salário após a gravidez, vencendo a ação contra o Praia Clube. A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) oferece suporte financeiro através do “Fundo Especial de Apoio ao Atleta” e, no vôlei de praia, os pontos no ranking são congelados por até 24 meses, permitindo o retorno sem perda esportiva.
Tênis e Judô: Avanços e Desafios
A Women’s Tennis Association (WTA) anunciou em março de 2025 um plano inédito, oferecendo até 12 meses de licença-maternidade remunerada e bolsa para tratamentos de fertilidade. No entanto, o judô ainda apresenta desafios. A campeã olímpica Sarah Menezes foi demitida da Confederação Brasileira de Judô (CBJ) menos de um ano após o nascimento de sua segunda filha, gerando um debate sobre a compatibilidade da maternidade com a excelência profissional. A CBJ alega que a demissão ocorreu em um processo de reorganização interna, mas a entidade admite não possuir, atualmente, um programa de apoio específico à maternidade, com a maioria das atletas optando por se tornar mães após o fim da carreira.
Fonte: jovempan.com.br
