Impacto das obras na Avenida Tlalpan
A Cidade do México, que sediará jogos da Copa do Mundo em conjunto com Estados Unidos e Canadá, vive um intenso período de obras para a preparação do evento. A remodelação do aeroporto e as reformas em estações do metrô no centro histórico, por exemplo, avançam às pressas. Na Avenida Tlalpan, via que liga o centro ao Estádio Azteca, palco da abertura, o trânsito está parado devido às intervenções. Ciclovias foram construídas, transformando o cenário onde trabalham profissionais do sexo.
Denúncias de “limpeza social”
Trabalhadoras sexuais relatam que as obras e as novas infraestruturas, como ciclovias, estão prejudicando seu sustento. “O governo não quer as trabalhadoras sexuais” e busca “nos expulsar” desta avenida, por onde passarão milhares de torcedores, denuncia Flor, 55 anos. Ela afirma que a Copa do Mundo não a beneficia, mas a deixa “mais pobre”. Elvira Madrid, fundadora da ONG Brigada Callejera de Apoyo a la Mujer, que estima cerca de 15 mil trabalhadoras sexuais na capital, denuncia uma “limpeza social” para “mostrar um México de primeiro mundo”.
Resistência e promessas não cumpridas
A prefeitura inaugurou a ciclovia na Avenida Tlalpan com a justificativa de transformação urbana. A prefeita Clara Brugada afirmou que a avenida é “de todas e de todos”, apesar das “resistências”. A prefeitura alega estar negociando com as trabalhadoras sexuais, mas os detalhes não são claros. Em 2025, o secretário de Governo César Cravioto mencionou uma “proposta” para “gerar direitos” e estabelecer “códigos de conduta, de vestimenta, horários”, mas a iniciativa não avançou, alimentando rumores sobre exigências como o uso de camisas da seleção mexicana.
Perda de renda e insegurança
As profissionais do sexo relatam queda drástica na renda. Monserrat Fuentes, 43 anos, com 20 deles atuando em Tlalpan, afirma que atendia cinco clientes por dia e agora se contenta com um ou dois. Outra profissional menciona que ganhava cerca de US$ 160 por noite e agora não chega a US$ 40. Além da perda financeira, há preocupação com a segurança, com o trânsito intenso e a ciclovia que pode causar acidentes. Apesar da vontade de mudar de local, a pergunta que fica é: “Por que vamos fugir?”
Fonte: g1.globo.com
