Democratas Bloqueiam Projeto de Defesa de US$ 5,15 Trilhões em Protesto Contra Ações no Irã

Oposição Democratas Barram Orçamento Bilionário para Defesa

Em um movimento de protesto contra a recente escalada militar dos Estados Unidos no Irã, democratas no Senado barraram a aprovação do projeto de Lei de Autorização da Defesa Nacional (NDAA), que propunha um orçamento de US$ 5,15 trilhões para o Pentágono. A proposta, que visava também conceder um reajuste salarial aos militares, não obteve o apoio necessário, com 50 votos a favor e 46 contra, ficando aquém do limiar para avançar.

“O projeto não pode servir como autorização para a imprudência que estamos vendo no Irã”, declarou o líder democrata Chuck Schumer antes da votação. Ele argumentou que o presidente não tem o direito de aprofundar o envolvimento americano em uma guerra sem o devido respaldo do Congresso, especialmente quando as motivações e o desfecho do conflito permanecem incertos.

Contexto de Tensão e Críticas ao Aumento de Gastos

A votação ocorreu um dia após a Casa Branca notificar formalmente o Congresso sobre a retomada dos bombardeios contra o Irã, rompendo um frágil cessar-fogo e intensificando as preocupações sobre um conflito de larga escala, cujos impactos já são sentidos na economia global, com a volatilidade nos preços dos combustíveis.

Além da oposição à política externa em relação ao Irã, o projeto da NDAA também enfrenta críticas pelo pedido da Casa Branca para elevar os gastos do Pentágono para US$ 1,5 trilhão em 2027, um aumento significativo em relação aos cerca de US$ 900 bilhões do ano anterior. O governo justifica a necessidade de modernização das Forças Armadas, enquanto críticos apontam para verbas anteriores ainda não totalmente utilizadas.

Manobras e Futuro da Proposta

O líder da maioria republicana no Senado, John Thune, defendeu a aprovação da medida, argumentando a obrigação do Congresso em prover os recursos necessários às Forças Armadas. Após a rejeição inicial, Thune alterou seu voto para fins regimentais, uma manobra que permite que a proposta seja reavaliada em outro momento.

A resistência ao projeto se estende a outros pontos, com parlamentares, inclusive entre os republicanos, expressando preocupação com o aumento do gasto público e questionando a necessidade de novos recursos, visto que o Pentágono recebeu US$ 150 bilhões no ano passado através de uma lei de cortes de impostos. O Senado também busca impor restrições ao Secretário de Defesa, Pete Hegseth, caso ele não forneça informações solicitadas sobre procedimentos internos e gastos, incluindo detalhes sobre um ataque a uma escola no Irã.

Demandas por Fim do Conflito e Restrições

Os democratas, por sua vez, defendem medidas mais rigorosas, incluindo a inclusão de emendas que obriguem o governo a interromper as operações militares. A senadora Tammy Duckworth, veterana da Guerra do Iraque, declarou que votará contra a proposta caso ela não inclua uma emenda para encerrar o conflito, afirmando que “simplesmente colocar mais dinheiro em uma operação militar fora de controle não é uma estratégia. É uma receita para uma guerra sem fim”. O Congresso tem um histórico de aprovar anualmente a NDAA, definindo prioridades e autorizando recursos para o Departamento de Defesa, mas a atual conjuntura política e os eventos no Irã colocam a continuidade desse processo em xeque.

Fonte: g1.globo.com

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