Comissão de Justiça aponta gestão temerária
A Comissão de Justiça do Corinthians concluiu a apuração sobre o uso indevido de cartão corporativo pelo ex-presidente Andrés Sanchez. Em seu parecer, o órgão classificou a conduta como gestão temerária, por entender que houve utilização de recursos em benefício próprio e prejuízo à imagem do clube. A comissão recomenda o ressarcimento aos cofres corintianos e a implementação de medidas de controle.
Andrés Sanchez admitiu ter utilizado o cartão para fins pessoais, mas alegou que foi um engano. A defesa do dirigente afirma que o caso está sendo “espetacularizado”.
Conselho Deliberativo decidirá sobre punições
O dirigente agora está sujeito a diversas punições, que serão debatidas pelo Conselho Deliberativo, sob a presidência de Romeu Tuma Júnior. Este conselho, aliás, tem recebido pressão de torcidas organizadas para que medidas mais drásticas sejam tomadas. Caso Romeu Tuma Júnior considere necessário, ele pode instaurar um procedimento ético-disciplinar na Comissão de Ética para analisar as penalidades administrativas, que podem incluir o desligamento de Andrés Sanchez do quadro associativo do clube.
Torcidas organizadas exigem expulsão
Os Gaviões da Fiel, principal torcida organizada do Corinthians, emitiram uma nota oficial exigindo a expulsação de Andrés Sanchez e de Duílio Monteiro Alves, que também são investigados pelo uso indevido de recursos. Além deles, a torcida também pede a saída de Augusto Melo, que já foi destituído do cargo devido a irregularidades em contrato com a antiga patrocinadora Vai de Bet.
Estatuto e precedentes: o que dizem as regras?
A eventual expulsão de Andrés Sanchez, que possui o cargo de conselheiro vitalício, seria analisada sob a perspectiva da gestão temerária, que está prevista no estatuto do clube como motivo para destituição de presidentes e vices em exercício. No entanto, o estatuto não especifica punições para casos em que as irregularidades são identificadas após o término do mandato. Regulamentações específicas sobre o uso de cartão corporativo também não estão detalhadas no estatuto.
Para conselheiros vitalícios, a perda do cargo só ocorre em situações como faltas consecutivas ou alternadas a reuniões, ou inadimplência de mensalidades. Para todos os associados, o estatuto lista comportamentos passíveis de desligamento, como condutas que atentem contra a moral, a disciplina e a honra do clube.
Investigação do Ministério Público
Além da investigação interna, Andrés Sanchez também está sob apuração do Ministério Público. A situação se agravou em dezembro, quando ele e o ex-diretor financeiro Roberto Gavioli foram denunciados pelo promotor Cássio Conserino por lavagem de dinheiro e crimes tributários. A acusação de lavagem de dinheiro remete ao escândalo envolvendo o fundo MSI, que levou o ex-presidente Alberto Dualib a renunciar ao cargo e, posteriormente, a pedir seu desligamento do quadro associativo em 2008, antes de uma votação que poderia resultar em sua expulsão.
Fonte: jovempan.com.br
