Ilú Obá De Min Celebra Ancestralidade Africana com Homenagem a Sacerdotisa no Carnaval de SP

Um Legado de Fé e Liberdade nas Ruas de São Paulo

O carnaval paulistano se inicia oficialmente com o vibrante desfile do bloco afro Ilú Obá de Min, que neste ano celebra 21 anos de trajetória. Em 2026, o bloco apresenta o enredo “Ifatinuké – Iyá-Olobá do Axé Transatlântico”, uma homenagem à vida e à ancestralidade de Ifatinuké, uma sacerdotisa africana de fundamental importância para a expansão do Reino de Oyó no Brasil. A agremiação, conhecida por seu trabalho em prol das culturas de matriz africana, afro-brasileira e da mulher negra, promete um desfile emocionante e repleto de significado.

A Jornada de Ifatinuké: De Oyó ao Recife

Ifatinuké, também conhecida como Inês Joaquina da Costa ou Tia Inês, nasceu em Oyó, um dos mais influentes reinos da atual Nigéria. Sua chegada ao Brasil ocorreu na década de 1870, e ela se tornou fundadora do Terreiro nagô Iemanjá Ogunté Obaomin, no Recife (PE). Fernanda Aguiar, integrante do bloco, destacou em entrevista ao jornal Conexão BdF que Ifatinuké era uma mulher africana livre, que não veio escravizada e participou ativamente de grupos que buscavam levar o culto africano para o Brasil. “É muito importante a gente saber que existia esse trânsito, uma intencionalidade dos africanos que estavam em Oyó em trazer esses cultos ao Brasil”, ressaltou.

21 Anos de Maturação e Reconhecimento Histórico

A escolha do enredo para este ano de aniversário de 21 anos do Ilú Obá de Min não foi por acaso. Segundo Fernanda Aguiar, o número 21 carrega um significado especial para quem tem conexão com as religiosidades de matrizes africanas, marcando um período de amadurecimento. “Pensar nessa história, veio a calhar nesse momento nosso”, explicou. O bloco busca reafirmar os terreiros como espaços de pertencimento, construção comunitária e resistência, com um desfile que já está sendo chamado de “ópera negra”.

O Bloco Ilú Obá de Min no Carnaval 2026

A oportunidade de conhecer e celebrar histórias como a de Ifatinuké é vista como um ato de reconhecimento e valorização da própria história. “A gente tem a oportunidade de reconhecer nossa própria história. Como assim ela foi e voltou, outros foram e voltaram, livres? A gente não sabe disso!”, comentou Fernanda, contrastando com a narrativa histórica predominante sobre a escravidão. O Ilú Obá de Min desfilará na sexta-feira de carnaval, 13 de fevereiro, às 20h, com saída da Praça da República, no Centro. Uma segunda apresentação ocorrerá no domingo, 15 de fevereiro, às 14h, com concentração na Rua Conselheiro Brotero, 195, na Barra Funda.

Fonte: www.brasildefato.com.br

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