Estabilidade Sob Tutela Americana
Um mês se completou desde a captura de Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, em uma operação liderada pelos Estados Unidos. Desde então, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o comando do país, implementando mudanças significativas sob pressão de Washington, ao mesmo tempo em que busca manter os pilares do chavismo. A Venezuela vive um período de “estabilidade tutelada”, como avalia Guillermo Tell Aveledo, professor de Estudos Políticos da Universidade Metropolitana. A relação com os EUA, rompida em 2019, avança com a retomada das relações diplomáticas e visitas de autoridades americanas a Caracas. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, alertou que Rodríguez pode enfrentar o mesmo destino de Maduro se os objetivos de Washington não forem cumpridos.
Reforma no Setor Petrolífero
Em meio à nova conjuntura, a Venezuela aprovou uma reforma na lei do petróleo, interpretada por analistas como um reflexo da pressão americana. A mudança revoga a nacionalização de 1976 e o modelo estatista de Hugo Chávez, permitindo que empresas privadas operem de forma independente, sem a exigência de participação minoritória da estatal PDVSA. O plano de Donald Trump é atrair petroleiras americanas, como a Chevron, oferecendo redução de royalties, simplificação tributária e fim da exclusividade na exploração primária. Especialistas estimam que o país precise de cerca de US$ 150 bilhões para recuperar a indústria petrolífera, afetada por anos de má gestão e corrupção.
Governo em Reajuste e Propaganda Chavista
Teoricamente, Delcy Rodríguez lidera um governo interino. Desde que assumiu, ela promoveu a substituição de ministros e oficiais de alta patente das Forças Armadas, embora figuras influentes como Diosdado Cabello (Interior) e Vladimir Padrino (Defesa) permaneçam em seus cargos. Essa reaproximação com os Estados Unidos contrasta com a retórica “anti-imperialista” histórica do chavismo. O partido governista organiza marchas contra o que chama de “sequestro” de Maduro, e a TV estatal exibe músicas pedindo sua libertação. A imagem de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, foi exibida em um show de luzes com drones no Forte Tiuna, local bombardeado durante a incursão americana, onde o ex-líder se declarou “prisioneiro de guerra”.
Anistia e Redução do Medo
Rodríguez anunciou uma anistia geral, que ainda aguarda votação no Parlamento. A expectativa é que a medida resulte na libertação de presos políticos, com 687 pessoas ainda detidas por motivos políticos, segundo a ONG Foro Penal. A vice-presidente também anunciou o fechamento do Helicoide, prisão denunciada por torturas. No entanto, o diretor da Foro Penal, Alfredo Romero, rejeita qualquer medida que leve à impunidade. O medo imposto por Maduro diminuiu, mas não desapareceu, com críticas ao governo ainda feitas em voz baixa. Segundo Aveledo, o sistema está passando por uma “liberalização tática”, recalibrando o custo da repressão.
Fonte: g1.globo.com
