Democracia em Retrocesso Global
Um alarmante relatório divulgado pela Human Rights Watch (HRW) revela que 72% da população mundial vive atualmente sob regimes autoritários. A análise, que faz parte do relatório mundial de 2026 da organização e abrange mais de cem países, indica que o mundo está presenciando um significativo “avanço autoritário”. Segundo a HRW, o cenário democrático atual remonta aos níveis de 1985.
Impacto da Era Trump e Atores Globais
O relatório da HRW destaca o primeiro ano do segundo mandato do presidente americano Donald Trump como um período de “avanço autoritário” para o globo, com o líder questionado por “flagrante desrespeito” e “graves violações” aos direitos humanos. A organização aponta que Trump “encorajou líderes autoritários e minou aliados democráticos”. Além disso, a HRW ressalta a “pressão implacável” exercida por China e Rússia contra os direitos humanos internacionalmente.
Classificação dos Regimes Mundiais
Baseado em um estudo da Universidade de Gotemburgo, o documento classifica quase 200 países em seis escalas: autocracia fechada, autocracia eleitoral, autocracia zona cinzenta, democracia zona cinzenta, democracia eleitoral e democracia liberal. Enquanto países como Rússia e China são classificados como autocracias (fechada e eleitoral, respectivamente), os Estados Unidos, França e Espanha são considerados “democracias liberais”. O Brasil, por sua vez, é categorizado como uma “democracia eleitoral”.
Ações que Colocam Direitos Humanos em Risco
O relatório lista diversas ações do governo Trump que, segundo a HRW, colocam o sistema global de direitos humanos “em perigo”. Entre elas, estão ataques à Venezuela, deportações de imigrantes, questionamentos à independência judicial e ao processo eleitoral nos EUA, uso do poder para “intimidar oponentes políticos”, retirada dos EUA do Conselho de Direitos Humanos da ONU, e o desmonte de programas de assistência alimentar e de saúde, além da remoção de proteções para pessoas trans e intersexuais. A política externa americana, conforme a ONG, “abalou os alicerces da ordem internacional regida por leis”.
Recomendações e Cenário Brasileiro
Para combater essa tendência, a HRW sugere a formação de uma “aliança estratégica” entre governos que valorizam os direitos humanos, movimentos sociais, sociedade civil e instituições internacionais. No capítulo sobre o Brasil, a organização defende uma reformulação nas políticas de segurança pública, com foco no enfrentamento às facções criminosas e sua possível infiltração no Estado. A HRW recomenda “investigações aprofundadas e baseadas na inteligência” para identificar vínculos entre criminosos e agentes públicos, alertando para o perigo de “corromper as instituições por dentro”. A segurança pública é apontada como uma “questão importante” nas eleições presidenciais brasileiras, liderando as preocupações dos cidadãos.
Fonte: g1.globo.com
