Proibição religiosa como argumento
O presidente do Irã, Ebrahim Raisi, negou veementemente que o país esteja desenvolvendo armas nucleares. Segundo ele, a proibição imposta pelo líder supremo Ali Khamenei, através de uma ‘fatwa’ (decreto religioso) no início dos anos 2000, é clara e impede tal desenvolvimento. As declarações foram feitas no mesmo dia em que o Irã e os Estados Unidos iniciaram a terceira rodada de negociações sobre o programa nuclear iraniano, em Genebra.
Acusações americanas e ameaças de Trump
Apesar das negativas iranianas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reiterou suas acusações de que o Irã almeja obter armas nucleares e mísseis capazes de atingir os EUA. Em seu discurso do ‘Estado da União’, Trump afirmou que o Irã já possui mísseis com alcance para ameaçar a Europa e bases americanas no exterior, e que trabalha para desenvolver projéteis que em breve poderão alcançar o território americano. Ele lembrou que os EUA destruíram um suposto programa de armas nucleares iraniano em junho de 2025 e declarou que jamais permitirá que o país, que ele chama de ‘maior patrocinador do terrorismo do mundo’, possua uma arma nuclear, embora prefira a diplomacia.
Tensão crescente e negociações em Genebra
As tensões entre Irã e EUA aumentaram nas últimas semanas, coincidindo com as negociações para um acordo que visa limitar o programa nuclear iraniano. Teerã refuta as acusações americanas, classificando-as como ‘grandes mentiras’ e uma ‘campanha de desinformação’ orquestrada pelo governo Trump. O Irã defende que seu programa nuclear tem fins pacíficos, voltados à produção de energia, enquanto os EUA temem que o objetivo final seja a fabricação de uma bomba atômica. Além disso, Washington busca restringir o alcance dos mísseis balísticos iranianos e o apoio a grupos armados no Oriente Médio.
O que está em jogo nas negociações
A reunião em Genebra, a terceira em menos de um mês, é crucial para um possível acordo. Os Estados Unidos desejam que o Irã interrompa o enriquecimento de urânio. Por outro lado, o Irã afirma estar disposto a reduzir o nível de enriquecimento em troca do fim das sanções impostas ao país. A última reunião, em 17 de fevereiro, também em Genebra, foi considerada um ‘certo avanço’ por ambas as delegações. A imprensa americana sugere que Trump pode decidir sobre um possível ataque ao Irã com base no resultado deste novo encontro.
Fonte: g1.globo.com
