Ritmo de Aquecimento Global Dobra e Preocupa Cientistas
As temperaturas globais estão subindo em um ritmo sem precedentes, impulsionadas pela ação humana. Um novo e alarmante estudo revela que o aquecimento global quase dobrou de velocidade desde 2015, atingindo uma média de 0,35°C por década. Essa aceleração, comprovada com alta confiança científica pela primeira vez, sugere que o planeta pode ultrapassar o limite de 1,5°C estabelecido pelo Acordo de Paris antes mesmo de 2030.
Estudo Inédito Filtra Ruído Natural para Medir Impacto Humano
Pesquisadores analisaram cinco grandes bases de dados de temperatura global, removendo o efeito de fenômenos naturais como ciclos solares, erupções vulcânicas e o El Niño. O objetivo foi isolar com precisão o impacto direto das atividades humanas no aquecimento do planeta. Antes de 2015, o aquecimento médio era de menos de 0,2°C por década desde a década de 1970. A virada significativa ocorreu entre 2013 e 2014, marcando o período de aquecimento mais rápido desde o início dos registros instrumentais em 1880.
Acordo de Paris em Risco: Limite de 1,5°C Pode Ser Ultrapassado em Breve
O Acordo de Paris, firmado em 2015, tem como meta limitar o aquecimento global a 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais. No entanto, com o ritmo atual de aquecimento, esse limiar pode ser ultrapassado já em 2028, segundo projeções baseadas em três das bases de dados analisadas. Embora anos recentes como 2023 e 2024 tenham sido os mais quentes já registrados, a correção para efeitos do El Niño ainda aponta para um aquecimento acelerado e contínuo.
Redução de Emissões é Crucial para Frear Aquecimento
“A velocidade com a qual a Terra continua a esquentar, em última instância, depende do quão rápido nós reduzimos a zero as emissões globais de CO2 por combustíveis fósseis”, afirma Stefan Rahmstorf, co-autor do estudo. A aceleração detectada, embora não detalhe as causas específicas, aumenta a preocupação com a proximidade de “pontos de não retorno”, cenários em que ecossistemas podem perder sua capacidade de recuperação devido ao clima extremo. Os autores ressaltam que os esforços atuais para combater as mudanças climáticas são insuficientes para reverter essa tendência alarmante.
Fonte: super.abril.com.br
