Bione lança mixtape com urgência feminina e tempero pernambucano para impulsionar o rap nacional

Rap com Identidade e Urgência

Aos 23 anos, Bione já se estabeleceu como uma força expressiva na música e poesia de Pernambuco. Sua nova mixtape, “Só Podia Ser Mulher”, lançada no Dia Internacional da Mulher, é um reflexo da urgência em expandir o espaço conquistado desde 2019, quando iniciou sua carreira aos 15 anos. O trabalho, terceiro lançado pelo selo Aqualtune, composto por mulheres negras, aborda incômodos com barreiras impostas a mulheres e a artistas de regiões periféricas, mas também celebra o avanço com swing e ternura.

Um Grito Contra o Mainstream

Bione descreve seu trabalho com o rap como algo que nasce da escrita e da poesia do slam. Em “Só Podia Ser Mulher”, ela expressa a maturidade e a compreensão de que o mercado musical e o mainstream a necessitam. A mixtape, embalada por beats clássicos no estilo boom-bap, traz letras que provocam o público e organizadores de eventos com line-ups majoritariamente masculinos. Em “Rap de Mina”, a artista reivindica reconhecimento financeiro proporcional à relevância da arte produzida por mulheres, destacando as barreiras ainda maiores enfrentadas por quem cria no Nordeste.

A “Avalanche Feminina” no Rap

A rapper de Recife acompanha com entusiasmo o que chama de “avalanche de mulheres dominando a cena” do rap nacional. Ela cita nomes como Duquesa, Ajuliacosta, Nanda Tsunami e Slipmami como exemplos dessa revolução. Bione se inspira em artistas como Karol Conká e Jessica Caitano, mas também se vê como um ponto de referência para outras mulheres em Pernambuco. O lançamento do primeiro álbum visual de rap feito por uma mulher em Pernambuco, “Ego” (2022), é um marco que, segundo ela, abre caminhos e fortalece a crença no trabalho de outras artistas locais.

Cozinha e Microfone: Subvertendo Espaços

A capa de “Só Podia Ser Mulher” retrata Bione na cozinha, com uma mão mexendo uma panela e outra empunhando um microfone. Essa imagem simboliza a intenção de tensionar e subverter os espaços tradicionalmente designados às mulheres, posicionando-as em combate através da música. A mixtape funciona como um prenúncio de seu segundo álbum, “Pirraia Loka”, que está sendo trabalhado com mais calma. No entanto, a urgência de suas mensagens exigiu o lançamento imediato de “Só Podia Ser Mulher”, um projeto que Bione define como “de urgência total”, visando “pretizar” e acompanhar a ascensão feminina no rap, especialmente vinda de Pernambuco.

Fonte: www.brasildefato.com.br

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