Ações em Queda Livre e Desempenho Frustrante
O Grupo Mateus, gigante do varejo no Nordeste, divulgou resultados do quarto trimestre de 2025 que decepcionaram analistas e investidores, levando suas ações a uma queda de 14,43% no pregão seguinte. O mercado interpretou os números como um reflexo de uma combinação delicada de cenário macroeconômico adverso, consumo enfraquecido e desafios internos para absorver o rápido crescimento dos últimos anos.
Receita Cresce, Mas Sem Força Orgânica
A receita líquida do Grupo Mateus alcançou R$ 10,5 bilhões no quarto trimestre, um aumento de 20,9% em relação ao ano anterior. No entanto, esse avanço foi majoritariamente impulsionado pela incorporação do Novo Atacarejo, concluída em julho passado, e não por uma expansão orgânica robusta. Analistas do BTG Pactual apontaram que a consolidação do Novo Atacarejo afetou a comparabilidade dos dados e evidenciou uma demanda mais fraca, com pressão sobre as despesas operacionais.
Vendas em “Mesmas Lojas” em Queda e Margens Apertadas
O indicador que mais preocupou foi o desempenho das vendas no conceito “mesmas lojas”, que apresentou uma queda de 1,1% no consolidado do trimestre. No atacarejo, principal motor de expansão do grupo, a retração foi de 5,5%, mesmo com a inclusão do Novo Atacarejo. Essa fraqueza no volume de vendas, segundo o Itaú BBA, foi o principal fator para a receita ficar abaixo das expectativas, refletindo um consumo menos favorável na região Nordeste. A pressão nas vendas se refletiu também no Ebitda ajustado, que caiu 6% para R$ 508 milhões, com a margem Ebitda ajustada recuando 1,4 ponto percentual.
Integração Complexa e “Dores do Crescimento”
A integração do Novo Atacarejo tem se mostrado mais desafiadora do que o previsto, adicionando despesas sem o retorno esperado das lojas mais antigas do negócio adquirido. O aumento de 34% nas Despesas com Vendas, Gerais e Administrativas (SG&A) evidencia a dificuldade do grupo em diluir seus custos na mesma velocidade em que expandiu sua operação. O CEO do Grupo Mateus, Jesuíno Martins Borges Filho, reconheceu que o consumo das famílias perdeu força devido a juros altos e endividamento, o que se acentuou na segunda metade do ano. A estratégia agora se volta para a eficiência, margem, e preservação de caixa, com a previsão de abertura de significativamente menos lojas em 2026.
Foco em Eficiência e Saúde Financeira
Apesar dos desafios operacionais, o balanço apresentou pontos positivos na geração de caixa. O fluxo de caixa livre no quarto trimestre foi de R$ 525 milhões, com dívida líquida de R$ 1,06 bilhão e alavancagem de apenas 0,4 vez o Ebitda. Houve também uma melhora no ciclo de conversão de caixa e uma redução na dívida líquida. No ano cheio de 2025, a receita e o Ebitda apresentaram crescimento, mas a sensação de perda de tração no resultado persiste. A XP classificou o desempenho como “fraco e difícil de comparar”, e a perspectiva para o início de 2026 ainda aponta para desafios com vendas no conceito de mesmas lojas e margem Ebitda.
Visão de Longo Prazo e Adaptação Estratégica
Fundado em 1986, o Grupo Mateus se tornou um player regional com mais de 300 lojas. A empresa agora busca “arrumar a casa”, com o fechamento de lojas do segmento Eletro e a reavaliação de sua estratégia de expansão. Apesar das “dores do crescimento” e da complexidade da integração, analistas do BTG Pactual e do Itaú BBA mantêm uma visão positiva para a ação, citando o valuation atraente e a forte presença em regiões com menor penetração de grandes grupos nacionais, embora alertem para um primeiro semestre de 2026 desafiador.
Fonte: investnews.com.br
