Governo iraniano declara luto e intensifica retórica contra potências ocidentais
O regime do Irã declarou três dias de luto nacional em resposta à escalada de protestos que tomam o país há quase duas semanas. O governo aiatolá Ali Khamenei descreveu a repressão aos manifestantes como uma “batalha de resistência nacional iraniana contra os Estados Unidos e o regime sionista”, acusando potências estrangeiras de orquestrar os levantes. O presidente Masoud Pezeshkian conclamou a população a participar de uma “marcha de resistência nacional” para denunciar a violência, que o governo atribui a “criminosos terroristas urbanos”.
Balanço de mortes e prisões: números alarmantes e falta de transparência
O grupo de direitos humanos HRANA, com sede nos EUA, reportou que o número de mortos nos protestos já ultrapassa 500 pessoas, incluindo 490 manifestantes e 48 policiais. Mais de 10.670 pessoas teriam sido presas, segundo a organização. Outras ONGs de direitos humanos que monitoram a situação no Irã também alertam para um número de mortos potencialmente muito maior, com relatos de “massacres” e corpos sendo amontoados em hospitais. O país está parcialmente isolado devido ao corte de internet, dificultando a verificação precisa dos dados.
Tensões internacionais aumentam com ameaças de retaliação
Em meio à crise interna, o governo iraniano ameaçou retaliar contra Israel e bases militares dos EUA no Oriente Médio caso o país seja alvo de um bombardeio norte-americano. A declaração surge após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter ameaçado intervir na crise caso o regime iraniano mate manifestantes pacíficos. O parlamento iraniano afirmou que, em caso de ataque ao Irã, “os territórios ocupados [Israel], assim como todas as bases e navios dos EUA, serão nossos alvos legítimos”.
Protestos em um cenário de fragilidade política e econômica
As manifestações atuais, que se assemelham à onda de protestos de 2022 após a morte de Mahsa Amini, ocorrem em um momento de fragilidade para o Irã, marcado por conflitos regionais e sanções internacionais. O líder supremo Ali Khamenei afirmou que o governo “não vai recuar” diante dos protestos, classificando os manifestantes como “vândalos” e “sabotadores”. O governo iraniano busca desviar a atenção das críticas internas, atribuindo a instabilidade a interferências externas e buscando uma via de diálogo com a população, ao mesmo tempo em que intensifica a repressão.
Fonte: g1.globo.com
