Da Infância em Gana à Ideia Brilhante
A história do popular jogo Jenga tem suas raízes em experiências familiares e na criatividade de Leslie Scott, uma designer britânica. Nascida e criada no leste da África, Scott relata que sua família era bastante competitiva, sempre engajada em jogos durante as reuniões. Foi em Gana, para onde sua família se mudou quando ela tinha 18 anos, que a semente do Jenga foi plantada. Utilizando blocos de madeira retangulares, que eram sobras de uma serraria local, Scott e seus irmãos mais novos começaram a criar um jogo improvisado de empilhar e remover peças.
O Momento ‘Eureka’ e os Primeiros Desafios
Após retornar ao Reino Unido, Scott levou consigo suas caixas e o jogo que marcou sua infância. Nos anos 1980, o jogo ganhou popularidade entre amigos de seu então namorado, que era tenista profissional. Um convite para organizar o entretenimento em um evento de arrecadação de fundos se tornou o ponto de virada. Embora o jogo não fosse o foco principal, ele cativou os convidados, levando Scott a perceber o potencial comercial de sua criação. Foi o seu momento ‘eureka’.
Da Feira de Brinquedos ao Fiasco Inicial
Determinada a transformar seu passatempo em um negócio, Scott fundou sua própria empresa e buscou financiamento, chegando a ter sua mãe como fiadora de um empréstimo bancário. Em 1983, ela apresentou o jogo na Feira do Brinquedo de Londres, esperando um grande retorno. No entanto, a experiência foi um fiasco: nenhuma encomenda foi feita. Percebendo que uma empresa desconhecida com um único produto enfrentava ceticismo, Scott decidiu diversificar e criar outros jogos para construir um portfólio.
Um Golpe de Sorte e a Insistência no Nome
O período entre 1985 e 1986 foi financeiramente desafiador para Scott, com o crescimento dos videogames adicionando pressão. A virada veio através de um contato no Canadá, onde um executivo da Irwin Toy, uma grande empresa de brinquedos, viu o jogo em demonstração e se interessou pela licença. O nome ‘Jenga’, no entanto, foi um ponto de discórdia. A empresa não gostava dele, mas Leslie Scott foi inflexível. Ela explicou que ‘Kujenga’ significa ‘construir’ em suaíli, uma língua que ela falava desde a infância na África, tornando o nome perfeito para o jogo. Sua persistência garantiu que o nome original fosse mantido.
O Sucesso Mundial e o Legado
A popularidade do Jenga começou a se espalhar gradualmente. Scott conseguiu quitar suas dívidas e sua mãe evitou a perda de sua casa. Atualmente, o jogo é um ícone reconhecido internacionalmente, integrando o National Toy Hall of Fame nos Estados Unidos. Leslie Scott, que se consolidou como designer de jogos, continuou sua carreira, projetando e lançando mais de 40 outros jogos desde o sucesso estrondoso do Jenga.
Fonte: g1.globo.com
