O Legado de Wes Craven e a Revolução do Slasher
A franquia Pânico, que redefiniu o gênero slasher nos anos 90 com sua inteligência meta-referencial e humor afiado, é hoje alvo de críticas severas. Wes Craven, o mestre por trás do original, injetou vigor em um gênero que chegava cansado, utilizando a autorreferência como um pilar. Filmes como O Novo Pesadelo de Wes Craven (1994) já demonstravam a genialidade do diretor em subverter expectativas, mas foi com Pânico (1996) que ele acertou em cheio. A mistura de horror, comédia e referências cinematográficas, aliada a uma estética de videoclipe, conquistou o público jovem e marcou o maior sucesso comercial de sua carreira.
Craven sempre zelou para que a galhofa não ofuscasse os personagens ou os temas centrais. Filmes posteriores exploraram o consumo da tragédia como entretenimento e anteciparam a cultura dos influenciadores e streamers, com o icônico Ghostface declarando: “Não preciso de amigos, preciso de fãs”.
O Declínio da Franquia Após a Perda do Criador
Sem a visão de Wes Craven, a série tem demonstrado dificuldades em manter o brilho. Embora os filmes mais recentes tenham tentado manter a chama acesa, com o sexto capítulo apresentando um ritmo satisfatório, a nova parcela, Pânico 7, enfrenta um cenário de recepção morna. Após desentendimentos contratuais que afastaram as atrizes Jenna Ortega e Melissa Barrera, Neve Campbell retorna como a final girl Sidney Prescott, agora vivendo uma vida aparentemente normal, mas cercada de seguranças e dilemas maternos.
Roteiro Previsível e Personagens Superficiais em Pânico 7
A chegada de um novo Ghostface força Sidney a confrontar seu passado, reunindo figuras conhecidas como Gale Weathers (Courteney Cox) e os sobreviventes Mindy e Chad Meeks-Martin (Jasmin Savoy Brown e Mason Gooding). No entanto, a presença desses personagens carismáticos pouco contribui para a substância do filme, com ações limitadas e pouca profundidade. O novo grupo de suspeitos e vítimas segue arquétipos batidos, oferecendo poucas surpresas. O principal problema reside na exigência de que os personagens ajam de forma ilógica para que a trama avance. Mesmo os veteranos e a própria polícia demonstram falhas de raciocínio, o que apequena a narrativa e torna as perseguições previsíveis.
Tentativas Frustradas de Abordar Temas Modernos
Apesar de momentos de suspense genuíno e um combate divertido entre gato e rato, Pânico 7 peca pela falta de originalidade e ousadia. As tentativas de incorporar temas contemporâneos, como inteligência artificial e o fascínio pelo true crime, são superficiais e resolvem-se rapidamente para não atrapalhar a ação. A dúvida sobre a autenticidade de um vídeo, por exemplo, é apresentada e resolvida de forma mastigada, sem explorar seu potencial. O peso do mistério recai inteiramente sobre a identidade do assassino, que se revela desinteressante e previsível, culminando em um desmascaramento burocrático e sem impacto.
O Medo de Comprometer a Essência da Franquia
O filme se acomoda em um denominador comum, demonstrando um medo latente de comprometer personagens estabelecidos, exagerar no humor ou no horror, e revelar a identidade de Ghostface cedo demais. A nova ambientação, que leva o assassino para as ruas em vez de mansões, oferece pouco em termos de inovação nas perseguições. Em última análise, Pânico 7 se aproxima do que Wes Craven temia: uma franquia que prioriza o espetáculo vazio e a lógica conveniente, transformando o monstro em um mero elemento de entretenimento pipoca, deixando o público com sede de uma originalidade que um dia definiu a série.
Fonte: super.abril.com.br
