Quem Vota no Oscar? A Academia se Transforma e Abre Espaço para Vozes Globais

A ascensão do cinema brasileiro e a polêmica da votação

O cinema brasileiro vive um momento de destaque no Oscar 2026, com o filme “O Agente Secreto” seguindo os passos de sucesso de “Ainda Estou Aqui”, que conquistou o primeiro Oscar do Brasil na categoria de Melhor Filme Internacional no ano anterior. A nova incursão do país na corrida pela estatueta, com “O Agente Secreto” recebendo quatro indicações, incluindo Melhor Ator para Wagner Moura e Melhor Filme, gerou reações curiosas. Uma crítica do cineasta espanhol Oliver Laxe, sobre um suposto “ultranacionalismo” dos votantes brasileiros, foi rapidamente refutada, evidenciando uma percepção equivocada sobre a composição da Academia.

Desmistificando o voto brasileiro na Academia

A afirmação de que brasileiros formam um grupo numeroso e influente na Academia com um viés nacionalista não condiz com a realidade. Atualmente, menos de 0,7% dos votantes habilitados a escolher os indicados e vencedores do Oscar são brasileiros, totalizando cerca de 70 membros. Em comparação, a Espanha, país com população inferior à região Nordeste do Brasil, possui aproximadamente 110 votantes. Para se ter uma ideia, a indicação para a categoria principal de Melhor Filme exige cerca de 922 votos, demonstrando que a influência individual de votantes brasileiros, ou de qualquer nacionalidade isolada, é limitada.

Uma Academia em constante transformação

A verdade é que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas passou por uma profunda metamorfose nas últimas décadas. O cenário de 2012, quando a organização contava com 5.765 membros, majoritariamente brancos e masculinos (77% homens, 94% brancos), é drasticamente diferente do atual. A crise desencadeada pela hashtag #OscarsSoWhite em 2016 impulsionou a Academia a buscar maior representatividade. Hoje, a organização dobrou de tamanho, com cerca de 24% de seus membros residindo fora dos Estados Unidos, em 93 países. Mulheres representam 33% do corpo votante, e grupos subrepresentados somam 24%.

Novas regras e o futuro do cinema global no Oscar

Essa internacionalização se reflete diretamente nas indicações. Filmes em línguas não-inglesas têm ganhado cada vez mais espaço, com 22 indicações nesta edição em diversas categorias, incluindo “O Agente Secreto” e o norueguês “Valor Sentimental”. A própria categoria de Melhor Filme passou a ter regras de representatividade, exigindo que os concorrentes cumpram requisitos de diversidade em suas narrativas e produções. A vitória histórica de “Parasita” em 2020, primeiro filme de língua não-inglesa a levar o prêmio de Melhor Filme, e a presença de dois filmes não-ingleses concorrendo a essa categoria no ano passado, são marcos dessa nova era, onde o cinema global, com suas múltiplas vozes e histórias, é cada vez mais reconhecido e celebrado pela Academia.

Fonte: super.abril.com.br

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