Wagner Moura dirigiu Bad Bunny em Narcos: México: A colaboração que ganhou novo brilho com indicações ao Oscar e Grammy
Antes de conquistarem o mundo em 2026, o ator brasileiro e o astro porto-riquenho uniram talentos na série da Netflix, explorando temas de identidade e política latino-americana.
No início de 2026, os nomes de Wagner Moura e Bad Bunny ressoam com força. Enquanto Moura celebra uma indicação ao Oscar por sua atuação em “O Agente Secreto”, Bad Bunny faz história no Grammy ao levar o prêmio de Álbum do Ano com “DeBÍ TiRAR MáS FOToS”. Poucos se recordam, contudo, que esses dois potências latino-americanas já compartilharam um set de filmagem.
A estreia de Bad Bunny como ator e a transição de Moura para a direção
Na terceira temporada de “Narcos: México”, série que expandiu o universo de “Narcos” para as complexas tramas do tráfico no país, Bad Bunny fez sua mais notável estreia como ator. Ele interpretou Arturo “Kitty” Páez, um jovem de classe alta que se vê envolvido com o infame grupo dos “Narco Juniors”. Embora não seja o protagonista, o personagem se destaca pela complexidade, uma marca registrada da série.
É nesse contexto que Wagner Moura assume um novo papel. Após dar vida a Pablo Escobar na série original, Moura trocou o protagonismo pela cadeira de diretor. Ele esteve à frente dos episódios 3 e 4 da terceira temporada, justamente aqueles que contam com a participação de Bad Bunny. Para Moura, a experiência na direção não era inédita, visto que havia dirigido o longa “Marighella” dois anos antes.
Um crossover com camadas políticas e culturais
A atual notoriedade de ambos os artistas confere uma nova perspectiva a essa colaboração. “O Agente Secreto”, filme que rendeu a indicação ao Oscar para Moura, aborda discussões sobre a ditadura militar no Brasil. Por outro lado, o álbum de Bad Bunny celebra a cultura e a vivência porto-riquenha.
Ambos os trabalhos, de maneiras distintas, ecoam mensagens sobre a identidade e a memória latino-americana. Em suas declarações públicas, Moura e Bad Bunny frequentemente conectam suas obras ao cenário político atual, marcado por tensões nos Estados Unidos, como a violência, o autoritarismo e o combate à imigração.
Vozes ativas em questões sociais
Bad Bunny, ao receber seu Grammy, declarou enfaticamente: “Fora ICE! Não somos selvagens, não somos animais, não somos aliens. Somos humanos e somos americanos.” A posição contra o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos reflete uma preocupação com a desumanização de imigrantes.
Wagner Moura também se manifestou sobre temas semelhantes, embora de forma mais indireta. Em entrevista à Variety, comentando sobre o assassinato da ativista Renee Good, ele expressou choque e a necessidade de conscientização. Ao falar sobre “O Agente Secreto”, Moura ressaltou a importância de artistas se posicionarem diante de governos autoritários, comparando a situação brasileira a um fascismo que se instala gradualmente e que exige reações firmes contra pequenas opressões.
A colaboração entre Wagner Moura e Bad Bunny em “Narcos: México” se revela, portanto, um ponto de convergência entre dois artistas que, mesmo em trajetórias distintas, compartilham a ambição de usar suas plataformas para amplificar vozes e discutir questões relevantes para a América Latina.
Fonte: super.abril.com.br
