Ameaça de Recuperação Extrajudicial
A Raízen, uma das maiores empresas de energia renovável do Brasil, está considerando a possibilidade de solicitar recuperação extrajudicial para lidar com sua atual crise financeira. A decisão surge em meio a discussões intensas com seus acionistas controladores, Shell e Cosan, sobre a necessidade de um aporte financeiro substancial.
Plano de Resgate Bilionário em Discussão
Um plano estratégico em avaliação prevê a injeção de R$ 4 bilhões na companhia. Deste montante, R$ 3,5 bilhões seriam provenientes do Grupo Shell e R$ 500 milhões da Aguassanta Investimentos, ligada à família de Rubens Ometto, acionista controlador da Cosan. Além do aporte financeiro, a estratégia pode envolver a conversão de dívidas em participação acionária e o alongamento do saldo remanescente da dívida. A Raízen também pretende dar continuidade à venda de ativos considerados não estratégicos, assegurando que essas medidas não impactarão suas operações ou parceiros de negócios.
Impasse e Diferenças Estratégicas entre Acionistas
Nas últimas semanas, executivos do BTG, Cosan e lideranças globais da Shell se reuniram em Londres para buscar um acordo para a reestruturação, mas sem sucesso. A situação se agrava com o forte aumento do endividamento da Raízen, que alcançou R$ 70 bilhões em dívida bruta, com R$ 55,3 bilhões em dívida líquida, resultando em uma alavancagem de 5,3 vezes o Ebitda. O custo anual para gerenciar esse passivo já ultrapassa R$ 7 bilhões.
As visões sobre a solução divergem. A Shell defende uma abordagem mais imediata, com um aporte de R$ 7 bilhões (metade de cada acionista) e renegociação das dívidas, incluindo possíveis haircuts e conversão em ações. Já a Cosan, em conjunto com o BTG Pactual, propõe uma reestruturação mais profunda, dividindo a Raízen em duas empresas: uma focada na produção e processamento de cana-de-açúcar e outra na distribuição de combustíveis. Nesta última, fundos de private equity do BTG aportariam R$ 5,5 bilhões, assumindo o controle com a Shell como sócia. Essa divisão se justifica pelos perfis de risco distintos de cada negócio.
Shell em Posição Central para a Solução
Diante do impasse, a avaliação predominante é que a liderança para a solução recai sobre a Shell, detentora da marca e da rede de postos de combustíveis, ativos centrais da operação de distribuição da Raízen. A joint venture entre Shell e Cosan, a Raízen se destaca como uma das maiores produtoras de etanol e energia renovável do Brasil, com forte presença no mercado de combustíveis.
Fonte: investnews.com.br
