Abra pede para ser ouvida pelo Cade sobre investimento da American Airlines na Azul e levanta preocupações sobre poder de controle

Abra contesta viabilidade financeira e busca mais transparência no processo

A Abra, holding que controla a Gol e a Avianca, solicitou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) o direito de ser ouvida no processo que analisa o investimento de aproximadamente US$ 100 milhões da American Airlines na Azul. Em sua manifestação, a Abra expressou fortes críticas ao acordo, argumentando que ele confere à American Airlines poderes semelhantes aos de um controlador na Azul.

Comitê Estratégico sob suspeita

Um dos pontos centrais da argumentação da Abra é a criação do Comitê Estratégico da Azul, formado durante o processo de recuperação judicial da companhia aérea nos Estados Unidos. Este comitê, com cinco membros, tem dois indicados pelas companhias aéreas americanas e possui competência exclusiva para aprovar decisões cruciais como orçamento anual, plano de negócios, contratação de dívidas e aquisição de aeronaves. A Abra sustenta que isso significa a American Airlines e a United Airlines deliberando conjuntamente sobre a estratégia competitiva da Azul no mercado.

Preocupações com a concentração de mercado

A Abra também aponta para a concentração de mercado no corredor Brasil-Estados Unidos. Dados da Anac indicam que, entre 2016 e 2025, a American Airlines, a Azul e a United Airlines juntas detiveram mais de 50% do mercado. A holding teme que o investimento possa dificultar acordos de cooperação entre companhias aéreas brasileiras e as americanas, uma vez que as investidoras poderiam priorizar seus próprios interesses e os da Azul em detrimento de concorrentes.

Resultados da Azul questionam necessidade do aporte

Contrariando a justificativa de que o investimento é essencial para a viabilidade financeira da Azul, a Abra destaca os resultados recordes apresentados pela companhia brasileira em 2025. A aérea reportou receita de R$ 5,8 bilhões no quarto trimestre, com EBITDA e EBIT significativos, mesmo antes da conclusão do Chapter 11 e do aporte da American Airlines. Além de ser reconhecida como terceira interessada, a Abra requer informações detalhadas sobre o Acordo de Aliança, incluindo a vigência e a existência de exclusividades, e pede prazo para apresentar estudos técnicos e realizar consultas a outros players do setor.

Fonte: investnews.com.br

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