Um Mergulho na Obra de Tereza Costa Rêgo
A Caixa Cultural Recife abre as portas nesta quarta-feira (25) para receber a nova exposição Tereza Costa Rêgo – Sem Concessões. A mostra, que marca a estreia nacional deste acervo, apresenta 30 obras que percorrem diferentes fases da trajetória da artista pernambucana. A exposição convida o público a explorar as complexas narrativas femininas que Tereza Costa Rêgo construiu ao longo de décadas de produção artística, abordando temas como erotismo, política, memória e a busca incessante por liberdade.
Da Opressão à Transgressão: A Evolução Artística
A curadoria de Denise Mattar organiza o percurso expositivo de forma a evidenciar a maturação artística de Tereza Costa Rêgo, reafirmando seu lugar de destaque na pintura figurativa brasileira. A exposição começa com gravuras da Oficina Guaianases, em Olinda, datadas dos anos 1980, onde já se percebem figuras marcadas por sensações de clausura e opressão. Conforme a mostra avança, elementos icônicos como a maçã, símbolo de transgressão, ganham proeminência, refletindo a crescente ousadia e o caráter político e erótico da obra da artista.
Obras Icônicas e Temas Universais
Entre os destaques da exposição estão trabalhos de grande impacto visual e narrativo, como “Pecado Original”, “O Parto do Porto”, “Cobertor de Gatos” e a obra monumental “Apocalipse de Tereza”. Com impressionantes 12 metros de extensão, esta última peça condensa temas recorrentes na obra da artista, como a dualidade entre vida e morte, a exploração do erotismo e o diálogo com a história.
Trajetória de Rupturas e Resistência
A pintura de Tereza Costa Rêgo é profundamente entrelaçada com sua experiência pessoal e com os acontecimentos históricos do Brasil, com referências explícitas a episódios como a Guerra de Canudos e a Ditadura Militar. Falecida em 2020, aos 91 anos, a artista teve uma vida marcada por rupturas significativas. Nos anos 1960, desafiou convenções sociais ao deixar um casamento tradicional para se dedicar à formação artística e à militância política. Sua jornada a levou por São Paulo, Chile e Paris, retornando a Pernambuco após a anistia, onde fixou residência em Olinda. A exposição, com entrada gratuita, estará aberta à visitação de terça a domingo, até 21 de junho, oferecendo uma oportunidade única para o público se conectar com a força e a relevância de sua obra.
Fonte: www.brasildefato.com.br
