Libertações em Massa em Cuba
O governo cubano anunciou nesta sexta-feira a libertação de mais de 2.000 presos, concedendo um indulto que beneficia diversas categorias de detentos. A medida surge em um contexto de aproximação diplomática, com o recente alívio do bloqueio petrolífero imposto pelos Estados Unidos à ilha, permitindo a entrada de um navio russo com combustível. Esta ação segue um gesto anterior de “boa vontade” em março, quando 51 presos foram liberados em celebração à mediação do Vaticano entre Havana e Washington.
Reações e Questionamentos
Os Estados Unidos manifestaram estar cientes das solturas, mas reiteraram a exigência de “libertação imediata das centenas de outros corajosos patriotas cubanos que permanecem detidos injustamente”, conforme declarado por um porta-voz do Departamento de Estado. O governo cubano não detalhou os crimes abrangidos pelo indulto nem divulgou os nomes dos beneficiados, apenas mencionando que a decisão considerou o tipo de crime, conduta na prisão, saúde e tempo de pena cumprido.
Beneficiados e Exclusões
Entre os libertados estão jovens, mulheres, idosos com mais de 60 anos, além de estrangeiros e cubanos residentes no exterior. Relatos de ex-detentos como Albis Gaínza e Brian Pérez expressam gratidão pela oportunidade e alívio após o sofrimento. No entanto, o indulto explicitamente exclui crimes como agressão sexual, pedofilia com violência, assassinato, homicídio, tráfico de drogas, roubo com violência e crimes contra a autoridade. Essa exclusão gerou preocupação em grupos de direitos humanos.
Críticas de Organizações de Direitos Humanos
Organizações como a “Justicia 11J” e a Cubalex, sediada em Miami, expressaram ceticismo quanto às motivações por trás do indulto. A “Justicia 11J” destacou a preocupação com a inclusão de “delitos contra a autoridade”, figuras que, segundo a ONG, são utilizadas para criminalizar a oposição política em Cuba. A Cubalex questionou a “falta de transparência” no processo e classificou o uso de indultos em Cuba como uma ferramenta histórica de “troca política e propaganda”, em vez de um ato de justiça. Segundo a “Justicia 11J”, estima-se que Cuba detenha 775 pessoas por motivações políticas, e a Cubalex ainda não conseguiu confirmar a libertação de nenhum preso político.
Contexto Político das Libertações
A decisão cubana ocorre em um momento de tensões e negociações com os Estados Unidos, cujo governo, sob Donald Trump, expressa o desejo de uma mudança de regime na ilha. Especialistas em Cuba, como Andrés Pertierra, da Universidade de Wisconsin, sugerem que as libertações podem estar ligadas a negociações políticas, apesar das declarações oficiais em contrário. O governo cubano de Miguel Díaz-Canel confirmou há duas semanas a existência de conversações com os EUA, adicionando complexidade ao cenário.
Fonte: g1.globo.com