Cuba liberta 2.000 presos após indulto; EUA exigem soltura de ‘patriotas cubanos’

Libertações em Massa em Cuba

O governo cubano anunciou a libertação de aproximadamente 2.000 presos, concedendo um indulto que beneficia diversas categorias de detentos. A medida ocorre em um contexto de tensões e negociações com os Estados Unidos, que, por sua vez, exigiu a libertação imediata de outros indivíduos que considera detidos injustamente.

A decisão de conceder o indulto foi tomada pouco tempo depois que o governo do presidente americano, Donald Trump, aliviou o bloqueio petrolífero imposto à ilha. Nesta semana, a entrada de um petroleiro russo em Cuba foi permitida, um movimento que pode indicar uma flexibilização temporária das sanções.

Em março, o governo cubano já havia anunciado a soltura antecipada de 51 presos como um gesto de “boa vontade” em direção ao Vaticano, historicamente um mediador nas relações entre Havana e Washington.

Reação dos Estados Unidos e Preocupações Internas

O Departamento de Estado dos EUA declarou estar ciente das libertações e solicitou a Havana “a libertação imediata das centenas de outros corajosos patriotas cubanos que permanecem detidos injustamente”. A porta-voz do órgão ressaltou a exigência americana.

O governo cubano não divulgou os nomes dos beneficiados nem especificou todos os crimes cobertos pelo indulto. No entanto, informou que a concessão levou em conta o tipo de crime, a conduta na prisão, motivos de saúde e o tempo de pena já cumprido. Entrevistados como Albis Gaínza, Damián Fariñas e Brian Pérez expressaram gratidão pela oportunidade.

Entre os libertados estão jovens, mulheres, adultos com mais de 60 anos, estrangeiros e cubanos residentes no exterior. O indulto, contudo, exclui crimes como agressão sexual, pedofilia com violência, assassinato, homicídio, tráfico de drogas, furto e roubo com violência ou uso de armas, além de corrupção de menores, crimes contra a autoridade, e casos de reincidentes.

Críticas de Grupos de Direitos Humanos

O grupo de direitos humanos “Justicia 11J” manifestou preocupação com a exclusão de indivíduos condenados por “delitos contra a autoridade”, que, segundo a organização, incluem figuras como atentado, resistência e desacato. A ONG afirma que essas tipificações são frequentemente usadas pelas autoridades cubanas para “criminalizar” a oposição.

A Justicia 11J estima que Cuba mantém 775 pessoas detidas por motivações políticas. A ONG Cubalex, sediada em Miami, não conseguiu confirmar a libertação de nenhum preso político até o momento e questionou a “falta de transparência” no processo, classificando o uso de indultos em Cuba como uma ferramenta de “troca política e propaganda, mais do que um ato de justiça”.

Contexto Político e Relações EUA-Cuba

A administração Trump tem demonstrado o desejo de uma mudança de regime em Cuba, considerando a ilha uma “ameaça excepcional” à segurança nacional dos EUA, devido às suas relações com Rússia, China e Irã. Recentemente, o governo de Miguel Díaz-Canel confirmou a manutenção de conversações com os Estados Unidos.

Analistas como Andrés Pertierra, historiador especializado em Cuba, apontam que, apesar de o governo cubano negar, há uma clara ligação entre as ações recentes e as negociações com os EUA, configurando uma “troca política”.

Fonte: g1.globo.com

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