Brasil Garante Vantagem com Etanol de Milho para Navios
O Brasil deu um passo significativo na transição energética do setor marítimo global ao ter seu etanol de milho de segunda safra aprovado pela Organização Marítima Internacional (IMO). Esta aprovação representa a primeira vez que um biocombustível compatível com o transporte naval tem sua pegada de carbono definida e validada pelo órgão regulador. Segundo o capitão de mar e guerra Flavio Mathuiy, representante do Brasil na IMO, essa conquista posiciona o país à frente de concorrentes como os Estados Unidos na corrida para fornecer combustíveis mais limpos para a navegação internacional.
Marco Regulatório Abre Caminho para Combustíveis Alternativos
A decisão da IMO remove um obstáculo crucial para a expansão do uso do etanol brasileiro no setor. A aprovação do “valor padrão” de 20,8 gramas de CO₂ equivalente por megajoule para o etanol de milho de segunda safra, em contraste com os 93,3 gramas do combustível marítimo tradicional (bunker), sinaliza às empresas de navegação a viabilidade e os benefícios ambientais dessa alternativa. Este avanço é particularmente importante em vista da implementação do marco de neutralidade de carbono da IMO, previsto para dezembro de 2026, que visa reduzir as emissões de gases de efeito estufa no transporte marítimo.
Produção Brasileira e Vantagens Competitivas
O etanol de milho brasileiro se destaca por sua menor intensidade de carbono em comparação com o biocombustível produzido nos EUA. Fatores como o uso de biomassa na produção e o sistema de dupla safra – onde o milho é plantado após a colheita da soja na mesma área – contribuem para essa vantagem. A produção brasileira de etanol de milho, iniciada em 2017, já representa quase um quarto do total nacional, que ainda é majoritariamente produzido a partir da cana-de-açúcar. A indústria doméstica aposta na sustentabilidade e eficiência de seus biocombustíveis para atender à crescente demanda por alternativas mais limpas.
Expansão e Futuro dos Biocombustíveis Marítimos no Brasil
Além do etanol de milho, o Brasil busca a aprovação técnica da IMO para outros biocombustíveis, como o etanol de cana-de-açúcar e o biodiesel derivado de soja e sebo bovino. A iniciativa da Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, que encomendou dois navios movidos a etanol, demonstra o potencial de mercado e o interesse da indústria em adotar essas soluções. Com a aprovação pela IMO, o Brasil se consolida como um player estratégico no futuro dos combustíveis sustentáveis para o transporte marítimo global, um setor responsável por cerca de 2% a 3% das emissões globais de gases de efeito estufa.
Fonte: investnews.com.br
