Expansão Agressiva e Nova Plataforma Logística
A Amazon decidiu transformar sua robusta rede logística, desenvolvida ao longo de 25 anos para uso interno, em um serviço comercial aberto a outras empresas. O lançamento do Amazon Supply Chain Services marca uma entrada direta no mercado de logística terceirizada (3PL), competindo com nomes globais como DHL e DSV. No Brasil, essa iniciativa intensifica a acirrada disputa com o Mercado Livre, líder incontestável do e-commerce na América Latina. A nova plataforma da gigante de Jeff Bezos integra serviços como frete aéreo e marítimo, armazenagem e entrega de última milha, mirando um mercado global estimado em US$ 1,3 trilhão.
O Modelo AWS na Logística e o Protagonismo Brasileiro
A estratégia da Amazon ecoa o sucesso da Amazon Web Services (AWS), que nasceu de uma necessidade interna de infraestrutura de servidores e se tornou líder mundial em cloud computing. A ideia agora é replicar esse modelo na logística, convertendo um centro de custo em uma fonte de receita de alta margem. O Brasil tem ganhado protagonismo nessa expansão. Nos últimos 18 meses, a Amazon adicionou 240 hubs logísticos, totalizando 300 unidades espalhadas pelo país. Essa infraestrutura permite entregas no mesmo dia em mais de 200 cidades e no dia seguinte em cerca de 3.600 municípios. A empresa investiu cerca de R$ 55 bilhões no Brasil na última década, acelerando o ritmo de expansão de centros logísticos para três por semana em 2026. Mudanças organizacionais recentes, como a redução de camadas hierárquicas, aproximaram a operação brasileira da liderança global, agilizando decisões estratégicas e de capital.
A Disputa com o Mercado Livre e os Desafios Brasileiros
Apesar da expansão acelerada, a Amazon enfrenta um Mercado Livre com infraestrutura física consideravelmente maior. O Mercado Livre opera cerca de 3,4 milhões de metros quadrados de área logística no Brasil, contra aproximadamente 709 mil metros quadrados da Amazon, segundo estimativas do BTG Pactual. Essa diferença se traduz em maior capacidade de armazenagem próxima aos consumidores, o que impacta diretamente custos e velocidade de entrega. O Mercado Livre demonstrou sua escala ao absorver um crescimento de 41% no volume de envios em 2025 e reduzir o custo unitário de frete em 11%. Além da logística, o Mercado Livre possui um ecossistema financeiro robusto, com o Mercado Pago atendendo 78 milhões de usuários ativos mensais e uma carteira de crédito de US$ 12,5 bilhões, criando barreiras de saída significativas para vendedores.
Aposta de Longo Prazo e Riscos Regulatórios
A Amazon aposta que a velocidade de expansão de sua rede logística pode compensar a lacuna atual em relação ao Mercado Livre. A empresa também utiliza o modelo DSP (Delivery Service Partner), terceirizando a entrega de última milha para empreendedores locais, o que reduz custos fixos e adapta a operação às complexidades do território brasileiro. Analistas do BTG Pactual alertam que a expansão logística no Brasil pode pressionar as margens da Amazon no curto prazo devido aos investimentos e subsídios. A rentabilidade dependerá da “convergência por densidade”, onde o aumento do volume e da utilização da rede reduzem os custos unitários. Há também riscos regulatórios, pois a Amazon atua simultaneamente como plataforma e prestadora de serviços logísticos para vendedores que competem com seus próprios produtos. O movimento consolida a Amazon como uma plataforma global de infraestrutura, com o Brasil servindo como um laboratório para mercados emergentes, mas a questão principal é se a velocidade de expansão será suficiente para superar a consolidação do Mercado Livre.
Fonte: investnews.com.br
