Um souvenir controverso que se tornou viral
Um calendário com homens em trajes clericais, um sucesso entre turistas na Itália, voltou ao centro das atenções após uma reportagem revelar que vários dos modelos não são, de fato, padres. O ‘Calendario Romano’, uma tradição de 12 retratos em preto e branco, é vendido anualmente e estimado em milhares de exemplares, custando cerca de 8 euros (aproximadamente R$ 50) em lojas próximas ao Vaticano e no centro histórico de Roma.
A história por trás das lentes
Giovanni Galizia, hoje com 39 anos e comissário de bordo, tinha apenas 17 quando participou da sessão de fotos. Ele descreve a experiência como uma brincadeira, lembrando do riso dos amigos ao vê-lo vestido como padre. Galizia, que não é padre, é um dos rostos conhecidos do calendário, cujas fotos são frequentemente reutilizadas em edições posteriores. O fotógrafo, Piero Pazzi, criador também de calendários com gondoleiros venezianos, afirma que pelo menos um terço dos modelos da edição de 2027 são sacerdotes, mas não detalha quais.
Arte, provocação e a percepção da sensualidade
Galizia defende que o calendário se insere em uma tradição artística, comparando-o a atores em séries de TV sobre o clero, que não são confundidos com religiosos. Ele vê uma ‘dissonância’ proposital na associação do universo eclesiástico com jovens de ‘rosto fresco’. Tanto Galizia quanto Pazzi negam a intenção de criar um calendário sensual, atribuindo a percepção a uma tendência moderna de associar beleza à sensualidade, especialmente em um mundo ‘sexualizado’.
Repercussão e humor entre religiosos
Apesar da controvérsia, o calendário não possui qualquer vínculo com o Vaticano, que se recusou a comentar o caso. No entanto, um padre sul-coreano, que preferiu não se identificar, comentou que o ‘Calendario Romano’ é conhecido em seu país, especialmente entre os jovens. Ele acredita que o calendário ajuda a aproximar os religiosos, mostrando que eles também podem ter um lado ‘divertido’, desmistificando uma imagem de rigidez.
Fonte: g1.globo.com
