Novo Pacto de Cooperação Nuclear entre EUA e Arábia Saudita
Os Estados Unidos e a Arábia Saudita fecharam um acordo nuclear de 30 anos, com potencial para envolver empresas americanas no desenvolvimento do programa nuclear saudita. O pacto, que ainda aguarda aprovação do Congresso dos EUA, pode permitir a construção de uma instalação de enriquecimento de urânio no reino após um estudo conjunto entre os dois países. A notícia, inicialmente divulgada pelo Wall Street Journal, surge em um momento de tensões geopolíticas na região, especialmente com a guerra contra o Irã.
Preocupações com Proliferação Nuclear
A possibilidade de a Arábia Saudita enriquecer seu próprio urânio gera preocupações significativas entre parlamentares americanos e especialistas em não proliferação nuclear. O temor é que tal avanço possa abrir caminho para uma nova rodada de proliferação nuclear e uma corrida armamentista no Oriente Médio. Especialistas alertam que qualquer centrífuga operando em território saudita poderia facilitar um eventual programa de armas nucleares, algo que o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman já indicou que o reino poderia buscar caso o Irã desenvolva uma bomba atômica. É importante notar que o enriquecimento de urânio, embora um passo crucial, não leva automaticamente à fabricação de uma arma nuclear, que requer o domínio de outras etapas complexas.
Contexto Geopolítico e Comparação com Outros Acordos
O anúncio deste acordo ocorre em meio à intensificação da guerra contra o Irã, que tem como um de seus objetivos declarados impedir que Teerã desenvolva armas nucleares, apesar de o Irã insistir em fins pacíficos para seu programa. A Arábia Saudita é membro da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), mas o acordo não deverá incluir o Protocolo Adicional da AIEA, que permitiria um monitoramento e inspeções mais rigorosos. Em contraste, os Emirados Árabes Unidos, vizinhos da Arábia Saudita, firmaram um acordo com os EUA para a construção da usina nuclear de Barakah, mas aceitaram não enriquecer urânio, uma condição vista como um “padrão ouro” para o desenvolvimento civil da energia nuclear.
Histórico e Declarações Anteriores
Tanto o ex-presidente Donald Trump quanto o atual presidente Joe Biden já haviam buscado fechar um acordo nuclear com a Arábia Saudita para compartilhar tecnologia americana. O Secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, visitou o reino no ano passado para discutir a expansão da indústria nuclear comercial saudita. Historicamente, a Arábia Saudita e o Paquistão, um país com armas nucleares, assinaram um pacto de defesa mútua, e o ministro da Defesa paquistanês chegou a afirmar que o programa nuclear de seu país “estará disponível” para a Arábia Saudita, se necessário. Nem a Casa Branca nem as autoridades sauditas responderam imediatamente aos pedidos de comentário sobre a decisão.
Fonte: g1.globo.com