Aumento da Alíquota de Importação
A partir de 1º de julho, os carros elétricos e híbridos importados da China enfrentarão um aumento significativo no Imposto de Importação, que passará de 25% para 35%. Essa mudança tributária, que faz parte de uma política gradual de reintrodução de impostos iniciada em janeiro de 2024, visa equiparar a tributação dos veículos elétricos importados aos demais automóveis. Embora a alíquota sobre o imposto de importação seja calculada sobre o valor de produção e não sobre o preço final de venda, o impacto em cascata dos impostos pode resultar em um aumento de até 10% no preço final dos veículos.
Guerra de Preços e Margens Apertadas
Apesar do aumento iminente nos impostos, o cenário atual do mercado de carros elétricos na China e no Brasil sugere que as montadoras chinesas podem absorver parte desse custo. Uma intensa guerra de preços no mercado chinês tem levado a margens de lucro menores para as empresas, como a BYD. Essa estratégia de preços agressivos tem sido replicada no Brasil, com a entrada de novas marcas chinesas disputando a fatia de mercado. A BYD, por exemplo, viu suas vendas globais crescerem 52% entre 2023 e 2025, mas seu lucro operacional aumentou apenas 4%, indicando que a rentabilidade por unidade diminuiu.
Produção Local como Estratégia de Mitigação
As montadoras chinesas estão apostando na produção local para contornar o aumento dos impostos de importação. A BYD já opera uma fábrica em Camaçari (BA), com capacidade para 150 mil carros anuais, produzindo modelos como o Dolphin Mini e o Song Pro. Inicialmente, a montagem é feita em regime SKD (semi-desmontado) e CKD (completamente desmontado), que já possuem alíquotas de imposto de importação menores (18% e 16%, respectivamente). A meta da BYD é que 50% dos componentes sejam fabricados no Brasil até 2027, o que os isentaria do imposto de importação. A GWM também possui uma fábrica em Iracemápolis (SP) e planeja aumentar a produção local. Outras marcas como Geely, GAC, Omoda & Jaecoo e Leapmotor também chegam ao Brasil com planos de estabelecer unidades fabris.
O Futuro dos Carros Elétricos Chineses no Brasil
O fim da isenção tributária representa um desafio para a estratégia de expansão dos carros elétricos chineses no Brasil. No entanto, a forte concorrência entre as próprias montadoras chinesas, a queda no preço global das baterias de lítio e o investimento em produção local podem ajudar a manter os preços competitivos. A expectativa é que, apesar do aumento do imposto de importação, o mercado de veículos elétricos e híbridos continue a crescer, impulsionado pela inovação e pela estratégia de nacionalização das empresas chinesas, que buscam não apenas vender carros, mas também fortalecer a indústria automotiva brasileira.
Fonte: investnews.com.br
