Cuba-Brasil: A Rota Arriscada de Migrantes Cubanos em Busca de Refúgio e Oportunidades

A Virada Migratória: Cubanos Superam Venezuelanos em Pedidos de Refúgio no Brasil

Desde 2025, o Brasil testemunha uma mudança significativa no perfil dos migrantes que buscam refúgio. Cubanos ultrapassaram os venezuelanos como a nacionalidade com o maior número de solicitações, totalizando cerca de 42 mil pedidos em 2025 e aproximadamente 13 mil até abril de 2026. Essa ascensão reflete uma complexa teia de fatores, incluindo a grave crise econômica e social em Cuba, a intensificação do embargo americano e o fechamento de rotas migratórias alternativas.

A Rota Perigosa: De Havana a Boa Vista por Meio de “Coiotes” e Desafios Logísticos

A jornada que muitos cubanos empreendem para chegar ao Brasil é marcada por riscos e exploração. A rota mais comum inicia em Havana, com voos para Georgetown, na Guiana, país que não exige visto para cubanos. De lá, uma viagem de até 20 horas por estradas precárias leva os migrantes a Lethem, na fronteira com o Brasil. A travessia irregular pelo rio Tacutu, feita em barcos e intermediada por “coiotes”, é apenas o início de uma viagem que pode custar mais de US$ 10 mil por pessoa. No lado brasileiro, carros superlotados os levam a Boa Vista, Roraima, onde muitos solicitam refúgio.

Condições Degradantes e Desinformação: Os Desafios na Chegada ao Brasil

Os relatos de quem chega ao Brasil são alarmantes. Muitos migrantes cubanos desembarcam em condições precárias, com alimentação escassa e problemas de saúde. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Roraima tem resgatado cubanos em situações de vulnerabilidade nas estradas. A desinformação sobre as leis brasileiras de imigração contribui para que muitos se submetam a redes clandestinas, acreditando ser a única forma de entrar no país, apesar de a lei brasileira permitir a solicitação de refúgio diretamente nas fronteiras.

Crise Cubana e Rotas Alternativas: Por Que o Brasil se Tornou um Destino?

A decisão de deixar Cuba é impulsionada por uma crise multifacetada: apagões diários devido ao colapso das usinas termelétricas, escassez de produtos básicos agravada pelo embargo americano e a perda de fornecedores de petróleo. Além disso, o fechamento do corredor migratório pela Nicarágua, que antes permitia aos cubanos acesso mais fácil à América Central rumo aos EUA, redirecionou o fluxo migratório. Com rotas para os Estados Unidos cada vez mais restritas e difíceis, o Brasil, com sua política de portas abertas (embora com desafios), emerge como uma alternativa viável, mesmo que o destino final de muitos não seja o Brasil, mas sim outros países da América do Sul ou do Norte.

Fonte: g1.globo.com

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