Ajustes Contábeis Reduzem Patrimônio e Lucro de 2024
A Aegea divulgou neste sábado (11) seus resultados financeiros, mas o destaque ficou para a reapresentação das demonstrações de 2024. Após sucessivos adiamentos, a companhia informou que revisou políticas contábeis e estimativas, resultando em uma redução significativa no patrimônio líquido e no lucro líquido do ano anterior. O lucro líquido de 2024 caiu de R$ 2,396 bilhões para R$ 1,803 bilhão, uma diminuição de R$ 593,3 milhões. O patrimônio líquido consolidado encolheu em cerca de R$ 5 bilhões, passando de R$ 11,4 bilhões para R$ 6,39 bilhões. O ativo total consolidado também foi ajustado para baixo, de R$ 44,33 bilhões para R$ 39,54 bilhões.
Principais Motivos para a Revisão Contábil
A Aegea justificou a revisão em três frentes principais. A primeira envolveu o reconhecimento de receita de serviços de água, adotando um critério mais conservador para clientes com débitos superiores a seis meses ou com cadastro incompleto. A receita agora é reconhecida apenas após o pagamento, aproximando a receita contábil da arrecadação. A Águas do Rio foi a concessão mais impactada. A segunda frente tratou da receita do ativo financeiro em Parcerias Público-Privadas (PPPs), com uma nova metodologia para mensurar a margem de construção baseada em fluxos de caixa esperados. Por fim, a provisão para perdas de crédito esperadas foi recalculada com base no histórico de inadimplência dos últimos 36 meses, passando a cobrir 105% do total de contas a receber vencidas. Ajustes no tratamento contábil da capitalização de juros associados ao pagamento de outorga também aumentaram a despesa financeira, especialmente na Águas do Rio.
Resultados de 2025: Crescimento Operacional com Alavancagem Elevada
Apesar dos ajustes no passado, os resultados de 2025 mostram a companhia sob pressão. Em conceito proforma, a receita líquida cresceu 20,6% em relação a 2024, atingindo R$ 18,288 bilhões, e o EBITDA proforma avançou 23,5%, chegando a R$ 10,297 bilhões. Contudo, o lucro líquido proforma caiu 31%, para R$ 856 milhões. A dívida líquida proforma subiu para R$ 47,044 bilhões, e a alavancagem aumentou de 4,13 para 4,51 vezes EBITDA. No recorte societário direto das demonstrações financeiras, a receita líquida cresceu 28,1% e o EBITDA aumentou 29,2%, mas o lucro líquido caiu 29%. A dívida líquida subiu 68,2% e a alavancagem passou de 2,96 para 3,78 vezes EBITDA.
Águas do Rio e Corsan: Pontos de Atenção e Contraponto
A Águas do Rio continua sendo um ponto de atenção. Em 2025, a operação registrou receita líquida de R$ 5,829 bilhões, mas o EBITDA caiu 15%, resultando em prejuízo líquido de R$ 584 milhões. A inadimplência saltou para 12%, e a alavancagem aumentou para 8,5 vezes EBITDA. A companhia atribui o aumento de custos e despesas aos ajustes contábeis na provisão para perdas com inadimplência. Em contrapartida, a Corsan apresentou resultados positivos, com EBITDA em alta de 63% e lucro líquido de 76%, embora parte desse ganho tenha sido impulsionada por um efeito não recorrente. A KPMG, em seu relatório, aprovou o balanço de 2025 sem ressalvas, mas destacou em parágrafo de ênfase os assuntos críticos de auditoria, como o reconhecimento de receita, provisões para perdas e a capitalização de juros, além de identificar deficiências em controles internos.
Fonte: investnews.com.br
