Divisões internas marcam a CPAC sem a presença inédita de Trump
A Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC) no Texas, tradicional palco de união e definição ideológica para o Partido Republicano e o movimento MAGA (“Make America Great Again”), chega ao fim neste sábado (28) sob um clima de divisões internas. Pela primeira vez em dez anos, o ex-presidente Donald Trump não compareceu ao evento, um sinal de mudança nas dinâmicas políticas que também se reflete na ausência de altos representantes de sua administração.
Guerra contra o Irã e tensões geracionais acentuam fissuras
A guerra contra o Irã emergiu como um ponto focal de discórdia dentro do campo conservador. Setores influentes, incluindo figuras como Steve Bannon, manifestaram forte oposição a uma escalada militar com envio de tropas terrestres. Paralelamente, segmentos mais jovens da base eleitoral conservadora demonstram uma crescente resistência a novos conflitos externos, indicando uma possível mudança geracional nas prioridades do movimento.
Apelos à unidade em meio à incerteza eleitoral
Apesar das divergências, o discurso predominante na CPAC tem sido de unidade, especialmente com as eleições de meio de mandato se aproximando em novembro. A preocupação com a perda da maioria no Congresso é palpável, e os apelos à coesão do campo conservador se multiplicaram. No entanto, a ausência de Trump e as tensões internas sugerem um cenário mais fragmentado do que em anos anteriores, quando figuras como Elon Musk subiam ao palco em demonstrações de apoio explícito.
Declarações polêmicas de Trump sobre Cuba e política externa
Em um fórum de investimentos em Miami, Donald Trump fez declarações que geraram repercussão, incluindo a possibilidade de intervenção em Cuba e a menção à captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Trump também apelidou o Estreito de Ormuz de “estreito de Trump”, em um gesto interpretado como parte de sua estratégia de personalização da política externa. Essas falas, somadas à ausência na CPAC, reforçam a percepção de que o movimento trumpista enfrenta tensões estruturais entre diferentes alas e uma base eleitoral cada vez mais diversificada em suas agendas.
Fonte: g1.globo.com
