Fim da Escala 6×1: O Maior Empregador Privado do Brasil Avalia Impactos e Vantagens da Mudança nas Jornadas de Trabalho

O Fim da Escala 6×1 no Radar

O debate sobre o fim da escala 6×1, regime de trabalho que alterna seis dias de atividade com um de descanso, ganhou força no maior empregador privado do Brasil. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a adoção de jornadas mais curtas poderia elevar a folha de pagamento das empresas brasileiras em até 50%, um impacto significativo, especialmente para setores que dependem intensivamente de mão de obra, como o varejo (supermercados, farmácias e shoppings).

GPS Dimensiona Impactos e Estratégias

O Grupo GPS, líder em terceirização de serviços, já se prepara para as mudanças. Cerca de 9 mil colaboradores, aproximadamente 5% do seu quadro total, operam sob a escala 6×1, concentrados em áreas como limpeza de aeroportos e estações ferroviárias. A empresa, com vasta experiência em gestão financeira e de pessoal, avalia os potenciais efeitos no custo do trabalho e no formato dos serviços prestados a seus clientes. Analistas do BTG Pactual veem a mudança não como uma disrupção, mas como um evento de renegociação, facilitado por cláusulas contratuais que permitem o repasse automático de custos legais, semelhante ao que ocorre com reajustes de convenções coletivas.

Riscos e Oportunidades na Nova Configuração

O principal risco de curto prazo apontado por especialistas é o ajuste de escopo por parte dos clientes, que podem reduzir a frequência ou o volume dos serviços contratados diante de um custo maior. Um segundo risco, menos discutido, é a potencial escassez de mão de obra. Se empresas precisarem contratar mais funcionários para manter o mesmo nível de serviço com jornadas reduzidas, o mercado pode enfrentar um aumento súbito na demanda por perfis operacionais, elevando custos de contratação e dificultando a mobilização de novos contratos. Diante desse cenário, a automação surge como uma resposta estratégica. O GPS já investe em equipamentos eficientes, sistemas digitais de gestão e ferramentas de supervisão com suporte tecnológico, incluindo o uso de inteligência artificial (IA) para treinamento, avaliação de desempenho e gestão de riscos trabalhistas. A IA tem ajudado a empresa a reduzir o volume de ações judiciais, que chegam a 1.200 por mês, otimizando a defesa e os acordos.

Produtividade e Consolidação do Mercado

A administração do GPS acredita que a mudança nas regras trabalhistas pode, paradoxalmente, gerar um efeito positivo na produtividade. A escala 6×1 está associada a altos índices de absenteísmo, rotatividade e falhas na prestação de serviços, levando a descontos (glosas) por parte dos clientes. Uma escala mais equilibrada tende a melhorar a qualidade da entrega e, consequentemente, a rentabilidade dos contratos. Dados do Caged reforçam a alta rotatividade no setor de serviços. Especialistas preveem que a maior complexidade e os custos de conformidade com a lei podem estimular ainda mais a terceirização, levando empresas a delegar a gestão de mão de obra a grupos especializados como o GPS. O mercado de terceirização no Brasil é pulverizado, com o GPS e os quatro maiores players detendo cerca de 10% do mercado, estimado em R$ 328 bilhões anuais. A tendência é de aceleração na consolidação, impulsionada por mudanças regulatórias. O GPS, com 56 aquisições desde seu IPO em 2021, busca empresas de pequeno e médio porte para expandir sua atuação em limpeza e segurança, com metas ambiciosas de aquisição para 2026.

Fonte: investnews.com.br

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