Gigantes Americanas Buscam Bilhões em Reembolso de Tarifas de Trump em Silêncio, Temendo Represálias e Ações de Consumidores

A Corrida Silenciosa pelos Reembolsos Alfandegários

Grandes corporações americanas, como Apple, General Motors (GM) e Walmart, estão em uma discreta corrida para reaver aproximadamente US$ 166 bilhões em impostos de importação pagos durante o governo do ex-presidente Donald Trump. A decisão da Suprema Corte que derrubou a base legal das tarifas impostas por Trump abriu a porta para que importadores solicitem o reembolso desses valores, acrescidos de juros. No entanto, o medo de retaliação política por parte de Trump e o receio de ações coletivas movidas por consumidores têm levado a maioria das empresas a manterem um silêncio estratégico.

Discrição é a Palavra de Ordem

Uma análise da Bloomberg, baseada em companhias do índice Russell 3000, revelou que apenas cerca de 5% das 3 mil maiores empresas de capital aberto dos EUA mencionaram a devolução de tarifas em seus relatórios recentes. O Serviço Alfandegário Americano (CBP) abriu um portal específico em 20 de abril para mais de 330 mil empresas que pagaram impostos sob o uso do International Emergency Economic Powers Act (IEEPA) por Trump. Embora alguns pagamentos já tenham sido creditados, outras empresas preveem a necessidade de esperar mais alguns trimestres para detalhar os valores.

Riscos Políticos e Jurídicos em Jogo

O motivo para tanta cautela é multifacetado. Donald Trump tem publicamente criticado as empresas que buscam o reembolso, rotulando-as como antipatriotas e afirmando, incorretamente segundo estudos, que as tarifas eram pagas por empresas estrangeiras. “Vocês estão falando de gente que, em muitos casos, odeia nosso país, recebendo dinheiro de volta”, declarou Trump recentemente. Além do escrutínio político, as empresas enfrentam o risco de ações judiciais de consumidores que alegam ter arcado com preços mais altos devido às tarifas e, portanto, teriam direito a uma parte do reembolso. Empresas como Nike, Lululemon e Amazon já foram alvo de processos desse tipo.

Quem Está Falando e Quem Está Agindo nos Bastidores

Apesar do silêncio público predominante, a busca pelos fundos é generalizada nos bastidores. A Apple confirmou publicamente que está seguindo os procedimentos para o reembolso, com planos de reinvestir os valores em inovação e manufatura nos EUA. A Illumina, gigante de sequenciamento genético, também pretende pedir restituição após arcar com custos significativos. A Home Depot já recebeu os primeiros reembolsos, que devem oferecer compensações importantes, enquanto a TJX, dona da TJ Maxx, também confirmou o pedido. A GM, por sua vez, elevou suas projeções anuais em cerca de US$ 500 milhões devido a devoluções previstas, e a Ford também se beneficiou de uma reivindicação de US$ 1,3 bilhão. A Stellantis registrou um ganho não recorrente de € 400 milhões ligado a futuras devoluções. Mesmo a Tesla, aliada de Trump, reconheceu a possibilidade de elegibilidade para reembolso, mas com incertezas sobre o desfecho final.

Impacto Potencial para o Consumidor

Economistas apontam que, embora os reembolsos não cheguem diretamente aos bolsos dos consumidores, eles podem ter um benefício indireto. Importadores que receberem os valores provavelmente os utilizarão para compensar custos crescentes de energia e frete, ou poderão oferecer algum tipo de alívio ao consumidor, possivelmente através de aumentos de preços mais lentos. Isso pode atuar como uma força desinflacionária moderada em um cenário de inflação persistente.

A Longa Fila e as Complexidades Restantes

Apesar dos avanços, a fila para os reembolsos ainda é longa e complexa. Empresas como Hasbro e Weyco Group estão aguardando o processamento de pedidos que estão fora da primeira fase. A Polaris busca cerca de US$ 125 milhões, e a Funko está providenciando a obtenção de cerca de US$ 20 milhões, explorando também a possibilidade de vender os direitos sobre seus créditos. A Tesla, além de monitorar seu próprio reembolso, avalia a necessidade de devolver valores a clientes de armazenamento de baterias. Bilhões de dólares ainda estão no Tesouro, e algumas empresas lutam para cumprir prazos, enquanto outras esperam que o CBP aprimore seu portal e resolva pendências legais sobre entradas mais antigas e complexas. Advogados alertam que um dólar de reembolso nem sempre equivale a um dólar recuperado integralmente pelas empresas.

Fonte: investnews.com.br

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