Oposição na Hungria quebra 16 anos de Orbán: Péter Magyar assume após vitória expressiva do Tisza

Oposição na Hungria quebra 16 anos de Orbán: Péter Magyar assume após vitória expressiva do Tisza

O partido de oposição Tisza, liderado por Péter Magyar, emergiu vitorioso nas eleições parlamentares húngaras deste domingo (12), encerrando 16 anos de governo do primeiro-ministro Viktor Orbán. Com a apuração de 95,63% das urnas, o Tisza garantiu 137 das 199 cadeiras em disputa, assegurando uma maioria consolidada para formar o próximo governo. O Fidesz, partido de Orbán, obteve 55 assentos, e o Mi Hazánk, 7.

Magyar promete responsabilidade e reaproximação com a UE

Após a confirmação da vitória, Péter Magyar declarou que representará todos os húngaros e que os responsáveis por “fraudar” o país “serão responsabilizados”. O líder do Tisza também solicitou a renúncia de figuras-chave do atual governo, incluindo o presidente da Suprema Corte, o procurador-geral e os chefes da mídia e do órgão de defesa da concorrência. Magyar assegurou que a Hungria será uma forte aliada da União Europeia e da OTAN, e que a transição de poder será “pacífica e tranquila”, apesar de afirmar que as “instituições independentes” do país foram “capturadas nos últimos 16 anos”.

Fim de uma era para Orbán e a extrema direita global

Viktor Orbán, uma figura proeminente na extrema direita mundial, governou a Hungria por um longo período, retornando ao poder em 2010 após um mandato anterior entre 1998 e 2002. Seu partido, o Fidesz, dominou o parlamento, promovendo reformas para consolidar o que chamou de “democracia cristã iliberal”. As políticas de Orbán incluíram restrições à liberdade de imprensa, enfraquecimento do Judiciário e limitações a direitos de minorias, ao mesmo tempo em que implementava medidas antimigração e uma retórica nacionalista que mantinham seu apoio popular. Essas ações geraram atritos significativos com a União Europeia, que chegou a suspender fundos para o país.

Péter Magyar: do ex-aliado ao principal opositor

Péter Magyar, líder do partido de centro-direita Respeito e Liberdade (Tisza), ganhou proeminência ao se distanciar de Orbán, a quem chegou a apoiar no início de sua carreira política. Magyar passou a acusar o governo de corrupção e prometeu uma reaproximação com a União Europeia e aliados ocidentais, embora mantenha uma postura conservadora em relação à imigração. Seu discurso, amplamente divulgado nas redes sociais e em comícios com forte apelo patriótico, conquistou eleitores que se sentiam desiludidos com o governo. Pesquisas recentes já indicavam uma forte ascensão do Tisza.

Interferência estrangeira e o apoio de Trump

A campanha eleitoral na Hungria também foi marcada por alegações de interferência estrangeira. O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, expressou apoio público a Orbán, recebendo-o na Casa Branca e publicando mensagens de suporte. Dias antes da eleição, o vice-presidente de Trump, J.D. Vance, visitou a Hungria e criticou a União Europeia, classificando suas ações como “vergonhosas” e “um dos piores exemplos de interferência estrangeira em eleições”. Orbán, um dos governantes há mais tempo no poder na União Europeia, é visto por apoiadores como um símbolo patriótico, enquanto críticos o acusam de conduzir o país para o autoritarismo.

Fonte: g1.globo.com

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *