Orienxadigma: Exposição Itinerante em BH Une Arte, Ancestralidade Negra e Luta por Território

Descentralizando a Arte nas Periferias

A partir do próximo sábado (30), Belo Horizonte recebe a exposição itinerante “Orienxadigma”, uma colaboração entre os artistas Fernando Costa e Babilak Bah. O projeto visa levar a produção artística para territórios periféricos, promovendo um diálogo inédito entre obras que abordam a ancestralidade negra, a cosmologia africana e a luta pela terra.

O Encontro de Duas Poéticas

“Orienxadigma” é a união de “Orí”, conceito iorubá que representa a cabeça como morada do destino e portal para os antepassados, e “Enxadigma”, referência às esculturas em ferro que utilizam a enxada como elemento central. A exposição é composta por 10 gravuras (“Origrafias”) de Fernando Costa e 10 esculturas em ferro (“Enxadigmas”) de Babilak Bah. Juntas, as obras tecem a memória viva da diáspora africana em Minas Gerais, celebrando a ancestralidade e explorando temas como trabalho, orixás e a resistência quilombola.

Um Roteiro pela Cidade

O projeto circulará por quatro regionais de Belo Horizonte, com datas e locais definidos:

  • Venda Nova: Centro Cultural Venda Nova (30 de maio a 30 de junho)
  • Norte: Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional (Lagoa do Nado) (04 de julho a 04 de agosto)
  • Noroeste: Centro Cultural Padre Eustáquio (12 de setembro a 05 de outubro)
  • Nordeste: Centro Cultural Usina da Cultura (07 de novembro a 07 de dezembro)

A abertura oficial acontece no Centro Cultural Venda Nova, no dia 30 de maio, às 14h30, com entrada gratuita.

Diálogos sobre Identidade e Luta

Fernando Costa, com formação em geografia e artes visuais, utiliza as “Origrafias” para explorar o conceito de Orí, conectando-o à memória e à construção de territórios. Seu trabalho dialoga com a geopolítica e a identidade do Sul Global, trazendo a periferia para o centro da discussão artística. Babilak Bah, por sua vez, incorpora a enxada em suas esculturas com um forte viés político e ancestral, remetendo à luta pela terra e à religiosidade africana, como o orixá Xangô, ligado à justiça.

A exposição também aborda a relação intrínseca entre a mineração e a história de Minas Gerais, destacando como essa atividade econômica moldou a presença negra no estado e continua a gerar impactos ambientais e sociais. A arte se torna, assim, um veículo para discutir questões urgentes como a defesa do território e o combate ao racismo estrutural.

Programação Complementar e Oficinas

Além das exposições, o projeto “Orienxadigma” inclui oficinas ministradas pelos artistas. Em 20 de junho e 14 de novembro, Fernando Costa oferecerá a oficina “Plantas Afrodiaspóricas” no Centro Cultural Venda Nova e no Centro Cultural Usina da Cultura, respectivamente. Em 25 de julho, Babilak Bah conduzirá a oficina “Ritmo, Corpo e Palavra” no Centro de Referência da Cultura Popular Lagoa do Nado. No Dia da Consciência Negra (20 de novembro), a filósofa Leda Maria Martins ministrará uma palestra no Centro Cultural Usina Da Cultura.

As inscrições para as oficinas serão realizadas via formulário disponibilizado no Instagram @orienxadigma.

Fonte: www.brasildefato.com.br

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