Epidemia em Crescimento no Leste do Congo
A República Democrática do Congo confirmou um alarmante número de 1.003 casos de ebola, com 254 mortes registradas até o último domingo (21). A situação se agrava com o recente falecimento de uma bebê de apenas seis meses e outras mortes em um campo para deslocados, levantando sérias preocupações sobre a circulação descontrolada do vírus em áreas já vulneráveis.
Campos de Deslocados: Um Foco de Risco
O campo de deslocados de Kigonze, em Bunia, epicentro do surto, abriga mais de 15 mil pessoas que fugiram de conflitos armados. O local, que antes registrava poucas mortes mensais, viu dez moradores serem enterrados apenas nesta semana. Autoridades e organizações humanitárias relatam que muitos apresentavam sintomas compatíveis com o ebola, como febre, dor de cabeça e vômitos. A coleta de amostras confirmou casos positivos em algumas vítimas, indicando que o vírus pode estar se espalhando rapidamente.
Saneamento Precário e Cortes de Financiamento Agravam a Crise
As condições sanitárias precárias em Kigonze representam um grave risco para a disseminação do ebola e outras doenças infecciosas. Famílias vivem amontoadas em barracas improvisadas, com banheiros insuficientes e frequentemente transbordando. A transmissão do ebola ocorre pelo contato direto com fluidos corporais, tornando a falta de higiene um vetor perigoso. A situação é agravada pela drástica redução no financiamento para água, saneamento e higiene na República Democrática do Congo, que caiu para cerca de US$ 38 milhões entre 2024 e 2025, menos da metade do valor do ano anterior. Apenas 21% dos US$ 80 milhões solicitados foram financiados este ano.
Desafios no Controle da Epidemia
A província de Ituri, onde Bunia está localizada, concentra mais de 90% dos casos confirmados do surto. Autoridades de saúde enfrentam desafios significativos para ampliar a testagem e o rastreamento de contatos. A resistência de parte da população em realizar testes, aliada à infraestrutura precária em uma região marcada por conflitos e deslocamentos em massa, dificulta os esforços para conter a propagação do vírus e proteger as populações mais vulneráveis.
Fonte: g1.globo.com