Cenário de Exportação Já Era Desafiador
Antes da oficialização da nova tarifa de 25% sobre parte das importações brasileiras, anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) com vigência a partir de 22 de julho, o Brasil já acumulava perdas significativas em suas exportações para os EUA. De acordo com um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o país já havia registrado uma perda de R$ 13,28 bilhões em exportações para o mercado americano em 2025 devido a um cenário tarifário já fragmentado.
Impacto em 20 Estados e Queda nas Vendas Industriais
As tarifas já em vigor levaram à redução das exportações brasileiras para os EUA em 20 dos 27 estados, com uma queda percentual de 13% no total. A retração foi impulsionada pela diminuição de 8,7% nas vendas de bens industriais, com destaque para produtos semimanufaturados de ferro e aço, ferro fundido bruto, pasta química de madeira não conífera, óleos de petróleo e outros produtos de aço. Apesar desse cenário, os Estados Unidos mantiveram-se como o principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira.
Novas Tarifas Agravam Insegurança e Custos
A imposição da nova tarifa de 25% tende a piorar um quadro que já era desfavorável, aumentando a insegurança para empresas de ambos os países e intensificando a pressão sobre as exportações brasileiras. Ricardo Alban, presidente da CNI, expressou preocupação, afirmando que o cenário tende a se agravar, corroendo a competitividade da indústria nacional. A medida, justificada pelo governo Trump como uma forma de “nivelar o campo de jogo” e proteger setores americanos, foi criticada por entidades como a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), que alertou para o aumento dos custos de acesso ao mercado americano e ameaças à competitividade dos produtos brasileiros.
Investigações em Andamento e Possíveis Retaliações
Além da tarifa de 25%, o governo americano conduz outra investigação que pode resultar na aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, sob a justificativa de que o Brasil não adotou medidas suficientes para impedir a circulação de produtos fabricados com trabalho forçado. O governo brasileiro estuda a lista final de produtos afetados para definir os próximos passos, incluindo a possibilidade de adotar medidas previstas na Lei de Reciprocidade Econômica. Economistas alertam que uma eventual retaliação pode elevar o custo de produtos importados dos EUA, pressionando a inflação e desacelerando a atividade econômica, com o consumidor final sendo o mais impactado.
Fonte: g1.globo.com
