UE exige que EUA cumpram acordo comercial após novas tarifas de Trump sobre produtos importados

UE cobra cumprimento de acordo comercial dos EUA

A União Europeia (UE) manifestou nesta sexta-feira (24) a expectativa de que os Estados Unidos honrem integralmente o acordo comercial bilateral, que entrou em vigor em 1º de julho. A cobrança surge após o governo de Donald Trump anunciar novas tarifas sobre produtos importados, justificadas pela necessidade de combater o trabalho forçado nas cadeias globais de produção.

As declarações da UE acontecem um dia depois de os EUA implementarem uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos de países como o Brasil e outros parceiros comerciais, incluindo o próprio bloco europeu. Com essa medida, a carga tarifária sobre alguns itens exportados pelo Brasil pode alcançar 37,5%, somando-se às tarifas já anunciadas anteriormente.

Compromissos cumpridos pela UE e diálogo com os EUA

Em nota oficial, um porta-voz da Comissão Europeia destacou que o bloco já cumpriu todos os compromissos previstos no acordo comercial firmado com Washington e que as negociações com a administração americana continuarão. “A UE já cumpriu a sua parte do acordo. Continuaremos a dialogar com a administração dos EUA para garantir que os EUA cumpram integralmente os seus compromissos”, afirmou o representante.

A cobrança da UE ocorre pouco mais de um mês após o Parlamento Europeu ter aprovado a redução de tarifas de importação sobre diversos produtos americanos, cumprindo assim sua parte do acordo comercial fechado no ano passado. O entendimento, selado durante um encontro entre representantes europeus e o então presidente Trump na Escócia, previa a eliminação de tarifas sobre bens industriais dos EUA e ampliação do acesso de produtos agrícolas americanos ao mercado europeu. Em contrapartida, os EUA mantiveram tarifas de 15% sobre a maioria dos bens exportados pelo bloco.

Reino Unido não será afetado e mantém acordo com os EUA

Em um comunicado divulgado nesta sexta-feira (24), o governo britânico afirmou que não será impactado pela nova rodada de tarifas impostas pelos Estados Unidos. Um porta-voz do governo explicou que o acordo comercial com Washington permanece em vigor e que as empresas do Reino Unido não enfrentarão aumento nas taxas alfandegárias. “Não há qualquer alteração negativa nas taxas alfandegárias que as empresas do Reino Unido enfrentam em consequência deste anúncio. O nosso acordo com os EUA mantém-se em vigor e, hoje, assistimos a uma melhoria das nossas condições comerciais, com tarifas zero para o whisky e a tecnologia médica”, declarou o porta-voz.

O governo britânico também ressaltou que adota medidas para prevenir que empresas do país se envolvam em trabalho forçado nas suas cadeias de suprimento globais.

Justificativa dos EUA e controvérsias sobre as novas tarifas

As novas tarifas americanas fazem parte de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que concluiu que diversos países não possuem mecanismos suficientes para impedir a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado em seus mercados. Segundo os EUA, o Brasil, a UE e dezenas de outros parceiros comerciais falham na fiscalização de suas cadeias de importação, o que criaria uma concorrência desleal para empresas americanas.

Especialistas e autoridades internacionais contestam essa justificativa. Analistas de comércio internacional apontam que a investigação não apresentou casos concretos de produtos brasileiros produzidos com trabalho forçado que tenham chegado ao mercado americano. Além disso, setores como pecuária e cafeicultura, frequentemente associados a resgates de trabalhadores em condições análogas à escravidão no Brasil, foram excluídos das principais sobretaxas anunciadas por Washington.

A ofensiva comercial também coincide com os esforços do governo Trump para aumentar a pressão sobre parceiros econômicos e reestruturar as cadeias globais de produção. Para alguns especialistas, as medidas visam não apenas combater o trabalho forçado, mas também proteger a indústria americana e intensificar a pressão sobre a China e outros concorrentes comerciais. Dados da fundação Walk Free indicam que os próprios Estados Unidos lideram o ranking mundial de importações com risco de trabalho forçado, movimentando cerca de US$ 169,6 bilhões anualmente, enquanto o Brasil aparece com aproximadamente US$ 5,6 bilhões em 2023.

Fonte: g1.globo.com

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