Investigação Revela Rede de Abusos em Escolas Infantis Parisienses
Um cidadão brasileiro, de 51 anos, foi detido e colocado em prisão preventiva em Paris, França, sob suspeita de estupro, agressão sexual e exposição sexual de crianças. Ele é um dos principais suspeitos em uma investigação que apura uma série de violências sexuais contra crianças em escolas de educação infantil na capital francesa. O caso veio à tona após mais de 30 denúncias apresentadas por pais de alunos, cujos filhos tinham entre 2 e 4 anos na época dos supostos crimes.
Alerta Começou com Queixas de Comportamento e se Intensificou com Reportagem de TV
A desconfiança sobre as condutas do monitor de música, identificado como C., começou a surgir em novembro, após pais relatarem comportamentos incomuns em seus filhos. Apesar dos alertas, ele teria sido transferido para outra escola em dezembro, em vez de ser afastado. A situação ganhou contornos mais graves com uma reportagem exibida em janeiro, gravada com câmera escondida, onde pais reconheceram o monitor e outros envolvidos. Conversas entre pais e reuniões na escola permitiram conectar as queixas de mau comportamento com as suspeitas de violência sexual.
Depoimentos Revelam Detalhes Perturbadores dos Abusos
Mães e pais entrevistados relataram situações chocantes. Uma mãe contou que sua filha de 3 anos se queixava de gritos e raiva, mas após a reportagem, as peças do quebra-cabeça se encaixaram. Ela suspeita que o monitor brasileiro cometia os estupros com a presença de uma cúmplice. Outro pai relatou que seu filho de 4 anos foi forçado a beijar as partes íntimas do monitor, e que ele atuava com outra monitora, isolando crianças e realizando atos sexuais, enquanto outros tiravam fotos ou faziam vídeos. A associação de pais de alunos, ‘Pequenos Heróis de Saint-Do’, afirma que a monitora citada foi flagrada beijando uma criança na boca em uma gravação.
Falhas Institucionais e Falta de Suporte Psicológico Criticadas
As famílias expressam indignação não apenas com os agressores, mas também com as instituições, incluindo a prefeitura de Paris e a escola Saint-Dominique, apontadas por falhas em proteger as crianças. Relatos indicam que as famílias não receberam apoio psicológico institucional, tendo que arcar com custos particulares de acompanhamento. O prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire, reconheceu que fatos graves ocorreram e pediu desculpas em nome da prefeitura. A associação de pais critica a falta de reatividade das autoridades e da escola, que inicialmente negou as acusações. O caso segue em investigação, com a expectativa de sanções penais e justiça para as vítimas.
Fonte: g1.globo.com
