Virada Cultural Milionária vs. Cultura Abandonada: Baldes e Infiltrações na Biblioteca Monteiro Lobato e Fechamento de Bibliotecas no CCSP

O recente fim de semana da Virada Cultural em São Paulo, celebrado com altos investimentos e forte divulgação, expôs um contraste gritante com a situação precária de outros espaços culturais da cidade. Denúncias do Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública Municipal (Sindsep) e de artistas revelam um cenário de sucateamento em instituições históricas, como a Biblioteca Infanto-Juvenil Monteiro Lobato e o Centro Cultural São Paulo (CCSP).

Biblioteca Monteiro Lobato em Estado de Abandono

Na Biblioteca Monteiro Lobato, um espaço de referência em literatura infantil na Vila Buarque, a cena flagrada pelo Sindsep na última quarta-feira (20) era desoladora: lonas pretas e baldes improvisados no chão para conter infiltrações severas na gibiteca. O teto apresentava água escorrendo e mofo, colocando em risco o valioso acervo de histórias em quadrinhos. “A biblioteca está abandonada. Aí você observa que a prefeitura está investindo um valor altíssimo na Virada Cultural e não investe nas unidades que ela já tem prontas”, criticou Luzia Barbosa, coordenadora da Região Centro do Sindsep. A precarização, segundo o sindicato, também se manifesta na falta de pessoal, com ausência de bibliotecários e administrativos, o que afeta diretamente a qualidade do serviço.

CCSP Fecha Bibliotecas e Enfrenta Problemas

O Centro Cultural São Paulo (CCSP), um dos mais importantes complexos culturais da capital, também tem enfrentado sérios problemas. Recentemente, a Discoteca Oneyda Alvarenga sofreu com inundações, e um princípio de incêndio foi controlado pelos próprios servidores. A falência da empresa terceirizada responsável pela vigilância levou ao fechamento das bibliotecas e da gibiteca ao público desde 18 de maio, segundo o Sindsep, para que a gestão pudesse realizar um inventário interno diante da falta de segurança. A escassez crônica de funcionários e monitoramento adequado também afeta a Biblioteca Mário de Andrade, palco de um furto de obras raras em 2025, e a unidade segue descumprindo prazos de acessibilidade.

Inversão de Prioridades e Ameaças à Cultura Independente

A gestão municipal tem sido criticada pela inversão de prioridades orçamentárias. Dados indicam um triplicamento dos gastos com shows em relação ao ano anterior, enquanto espaços culturais permanentes e coletivos independentes enfrentam abandono e ameaças. O Teatro de Contêiner Mungunzá, por exemplo, foi lacrado e demolido pela prefeitura em março deste ano, após um acordo para sua transferência não ser cumprido. Artistas denunciam que a cidade tem sido “rifada para o capital especulativo imobiliário”, com a supressão de espaços culturais para dar lugar a novos empreendimentos.

Respostas da Prefeitura e Demandas do Setor

Em nota, a Secretaria Municipal de Cultura (SMC) negou o abandono, afirmando que a Biblioteca Monteiro Lobato passa por requalificação e que os investimentos em reformas e modernização de equipamentos culturais aumentaram significativamente. A prefeitura também declarou que o Teatro de Contêiner ocupava a área irregularmente e que foram oferecidas alternativas de terrenos. No entanto, entidades sindicais e artistas seguem cobrando concursos públicos, mais verbas para a manutenção dos espaços e um diálogo mais efetivo com a classe artística e os órgãos de preservação do patrimônio cultural da cidade.

Fonte: www.brasildefato.com.br

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