Lula autoriza ajuda humanitária para a Bolívia em meio a crise com protestos e desabastecimento
Presidente brasileiro conversou com Rodrigo Paz e reiterou importância do diálogo e respeito às instituições democráticas em meio a bloqueios de estradas e escassez de alimentos e combustíveis no país vizinho.
O Brasil anunciou o envio de ajuda humanitária à Bolívia, que enfrenta uma onda de protestos e bloqueios de estradas há quase um mês. O anúncio foi feito após uma conversa telefônica entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Rodrigo Paz, da Bolívia. A situação no país vizinho tem gerado desabastecimento de alimentos, combustíveis e medicamentos.
Pedido de Ajuda e Solidariedade Brasileira
O presidente boliviano, Rodrigo Paz, de centro-direita, solicitou pessoalmente o apoio humanitário ao Brasil. Em resposta, o presidente Lula reiterou sua solidariedade ao governo e ao povo bolivianos, enfatizando a necessidade do pleno respeito às instituições democráticas e ao Estado de Direito. A Presidência brasileira comunicou que Lula defende que governo e movimentos sociais evitem a violência e priorizem o diálogo para superar divergências e preservar a paz social.
Crise na Bolívia: Causas e Demandas dos Protestos
A crise na Bolívia se intensificou nos últimos meses, com manifestantes pedindo a renúncia do presidente Rodrigo Paz. Os protestos são liderados por setores do sindicato Central Operária Boliviana (COB), organizações camponesas e grupos ligados ao ex-presidente de esquerda Evo Morales. As principais demandas incluem:
- Reforma Agrária: Um anúncio de reforma agrária pelo presidente Paz, que visava transformar pequenas propriedades rurais em propriedades de médio porte, foi interpretado por grupos camponeses como uma tentativa de facilitar a venda de terras para grandes proprietários. A lei foi revogada pelo presidente em resposta aos protestos.
- Baixos Salários e Inflação: Professores iniciaram manifestações exigindo aumentos salariais diante de uma inflação anual de 15% e um custo de vida elevado. Embora um acordo tenha sido alcançado com os professores, os protestos se espalharam para outros setores.
- Qualidade e Preço do Combustível: Aumento no preço dos combustíveis, após o fim de subsídios, e questionamentos sobre a qualidade da gasolina vendida levaram a greves e preocupações com o abastecimento, afetando serviços essenciais como a coleta de lixo.
- Reforma Constitucional: A criação de uma comissão para uma “reforma parcial” da Constituição de 2009, que busca facilitar o investimento, gerou críticas de movimentos sociais alinhados a Evo Morales, que temem a exclusão do Estado na gestão de recursos naturais e a privatização.
Reações Internacionais e Impacto no Cotidiano
Além do Brasil, os Estados Unidos e a Argentina também ofereceram assistência à Bolívia. O Departamento de Estado americano classificou a situação como uma “crise humanitária” e os protestos como “ações destinadas a desestabilizar o governo democraticamente eleito”. A Argentina enviou uma aeronave para transporte de alimentos, enquanto o presidente colombiano, Gustavo Petro, descreveu a situação como um “levante popular”. Moradores brasileiros na Bolívia relataram dificuldades de viagem e preocupações com o desabastecimento.
Contexto Político e a Posição de Evo Morales
Os protestos ocorrem seis meses após a posse de Rodrigo Paz e parecem mascarar um descontentamento mais profundo entre eleitores que sentem que suas demandas não foram atendidas. A cientista política Luciana Jáuregui observa que a mobilização atual é multissetorial e abertamente desestabilizadora, indo além de pedidos específicos para exigir a renúncia do presidente. O governo boliviano acusa Evo Morales de estar por trás dos protestos, alegação que o ex-presidente nega. Morales enfrenta, paralelamente, um processo judicial por suposto tráfico de pessoas.
Fonte: g1.globo.com
