1ª Feira Literária de Ibicoara Celebra o Poder da Oralidade e Ancestralidade na Chapada Diamantina

Ibicoara se Torna Palco da Primeira Feira Literária com Foco na Oralidade

A cidade de Ibicoara, na Chapada Diamantina, foi o cenário da 1ª Feira Literária de Ibicoara (FLIBIC) entre os dias 21 e 23 de maio. Com o tema “O Poder da Oralidade na Literatura e Cultura Brasileira”, o evento gratuito atraiu milhares de visitantes em três dias de intensa programação cultural. Realizada pelo Coletivo Baobá, a FLIBIC marcou a estreia do município no circuito de feiras literárias da Bahia, com o objetivo de valorizar saberes populares, a ancestralidade e a produção artística local.

Programação Diversificada Destaca Cultura e Juventude

A FLIBIC ofereceu uma rica grade de atividades, incluindo apresentações do Cordel Renascer, mesas literárias, o tradicional cortejo do Terno de Reis Estrela do Oriente, exposições e apresentações de estudantes das redes municipal e estadual. Um espaço dedicado às crianças, o Flibrincante, proporcionou brincadeiras e contação de histórias. A Fundação Pedro Calmon e a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (SEPROMI) marcaram presença com o projeto Leve e Leia e a biblioteca móvel Carolina Maria de Jesus. Shows e apresentações culturais encerraram cada dia do evento. A feira também premiou vencedores de um concurso literário e realizou uma ação solidária em parceria com o programa Bahia Sem Fome.

Protagonismo Jovem e Valorização da Memória Oral

A coordenadora da FLIBIC, Lia Guanacé, destacou o sucesso do evento e o impacto positivo na comunidade, ressaltando o protagonismo dos jovens estudantes de Ibicoara, Iramaia e Itaetê. “Os jovens daqui de Ibicoara foram protagonistas durante a primeira feira literária”, afirmou Lia, que também celebrou o engajamento das escolas em apresentações que dialogavam com o tema da oralidade, incluindo homenagens a mestres da cultura popular. O autor independente Alléfi Pataxó, autor de “Tapurumã e o Coração da Floresta”, reforçou a importância de trazer a temática indígena e a “inteligência ancestral” para espaços como a FLIBIC, destacando o papel dos mais velhos como memória viva e guardiões do meio ambiente. Amanda Carvalho Ferreira, estudante do CETI de Ibicoara, celebrou a oportunidade para jovens poetas se apresentarem e a importância de preservar e divulgar a cultura do município.

Oralidade como Ferramenta de Resistência e Identidade Cultural

A mesa “Narrar para Existir: Memória, Ancestralidade e Soberania Cultural”, com a atriz Maria Marighella, aprofundou a discussão sobre arte, cultura, memória e identidade. Marighella elogiou a escolha do tema “O Poder da Oralidade” pela FLIBIC, definindo a oralidade, as canções e as artes como “tecnologia vigorosa para a formação de comunidade, de afetividade e de insurgência”. Ela também celebrou a retomada da Política Nacional das Artes pelo Ministério da Cultura e o pioneirismo baiano na “territorialização da cultura”, ressaltando que a Bahia concentra mais de 100 das mais de 300 festas literárias existentes no Brasil. Dentre os 24 municípios da região, 11 já realizam feiras literárias, demonstrando a força cultural do território.

Fonte: www.brasildefato.com.br

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