Casa Branca sedia evento de UFC: a improvável aliança entre Trump e o MMA que completa 25 anos

Casa Branca sedia evento de UFC: a improvável aliança entre Trump e o MMA que completa 25 anos

Espetáculo no gramado presidencial, UFC Freedom 250, celebra o 250º aniversário dos EUA e o ‘espírito lutador americano’, mas gera controvérsia sobre uso de espaço público e interesses financeiros.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assiste neste domingo (14) a uma sequência de lutas de artes marciais mistas (MMA) em uma arena montada especialmente no gramado da Casa Branca. O evento, batizado de UFC Freedom 250, tem como objetivo comemorar o 250º aniversário do país e celebrar o “espírito lutador americano”. No entanto, a iniciativa gerou questionamentos sobre a adequação do local e possíveis conflitos de interesse.

Uma aliança de 25 anos: O resgate do UFC por Donald Trump

A presença do MMA, esporte que há 30 anos era proibido na maioria dos estados americanos, no principal espaço político dos EUA é o ápice de uma aliança de 25 anos entre Donald Trump e o presidente do UFC, Dana White. Em 2001, quando White e seus sócios compraram a organização em dificuldades por US$ 2 milhões, o esporte enfrentava forte oposição, incluindo declarações do senador republicano John McCain, que o comparou a “rinha de galos humana”. Naquela época, o UFC era rejeitado e excluído de arenas tradicionais. Trump, dono de cassinos em Atlantic City, foi o responsável por sediar dois eventos do UFC em seu Trump Taj Mahal em 2001, um ato que, segundo White, salvou a organização. Com a introdução de regulamentações e regras mais rígidas, o esporte gradualmente se livrou de seu status de ilegalidade, culminando em sua venda por US$ 4 bilhões em 2016 e uma avaliação de US$ 12 bilhões em 2023.

UFC Freedom 250: Celebração e Críticas

O evento, que contará com 14 lutadores, incluindo o brasileiro Alex “Poatan” Pereira na disputa pelo cinturão interino dos pesos-pesados contra Ciryl Gane, visa celebrar o aniversário dos EUA. Contudo, a data coincidiu com o 80º aniversário de Trump, levando críticos a questionarem a adequação da celebração. Um grupo de oposição chegou a entrar com um processo judicial alegando “uso indevido e flagrante de nossos monumentos nacionais sagrados”. A magnitude da estrutura, uma arena de aço com 28 metros de altura, alterou a paisagem do gramado sul da Casa Branca, projetada para acomodar cerca de 4 mil espectadores, enquanto outras 85 mil pessoas acompanharão em telões gigantes no parque Ellipse.

Apelo Eleitoral e a “Masculinidade Positiva”

A realização do evento na Casa Branca é vista como uma estratégia calculada para atingir um perfil de eleitores crucial para Trump: homens com menos de 30 anos, que historicamente o apoiaram. Comentaristas conservadores defendem que o evento pode atrair esse público e transmitir uma mensagem de “masculinidade positiva”, em contraponto ao que chamam de “fragilidade introduzida pela extrema-esquerda”. Os princípios do UFC, segundo essa visão, refletem os valores fundadores da República Constitucional, resumidos na ideia de “não desistir da luta até o fim”.

Controvérsias e Interesses Financeiros

O processo judicial movido pelo Public Integrity Project alegou que o evento era “profundamente corrupto”, citando os interesses financeiros de Trump na TKO, empresa controladora do UFC, e seus laços com Dana White. Registros públicos indicam que Trump comprou entre US$ 15 mil e US$ 50 mil em ações da TKO. A Casa Branca, no entanto, rejeitou as acusações, afirmando que os bens de Trump estão em um fundo fiduciário administrado por seus filhos e que não há “conflitos de interesse”. O UFC afirma investir US$ 60 milhões no evento, sem esperar lucro, e cobrirá os custos de restauração da grama. A segurança e o fechamento de vias custarão entre US$ 10 milhões e US$ 12 milhões em fundos federais. O evento será transmitido exclusivamente pelo Paramount+ nos EUA e no Brasil.

Um Evento Sem Precedentes na Casa Branca

Embora a Casa Branca costume sediar grandes eventos em seu gramado, como comemorações do Dia da Independência e a caça aos ovos de Páscoa, a escala e o conteúdo do UFC Freedom 250 são considerados “sem precedentes”. Historiadores apontam que, embora já tenham ocorrido eventos musicais e performáticos, nunca algo similar a um combate profissional de MMA foi realizado no local, marcando um capítulo singular na história da residência presidencial.

Fonte: g1.globo.com

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