Casa Branca Sedia UFC: A Aliança de 25 Anos Entre Trump e Dana White e a Controvérsia Política
Evento comemorativo do aniversário dos EUA levanta debates sobre o uso de monumentos nacionais e possíveis conflitos de interesse.
O “Maior Show da Terra” nos Jardins Presidenciais
Donald Trump, o presidente dos Estados Unidos, promoveu um evento de artes marciais mistas (MMA) na Casa Branca, batizado de UFC Freedom 250, para celebrar o 250º aniversário do país e o “espírito lutador americano”. A arena, com 28 metros de altura, foi montada no gramado sul da residência presidencial, atraindo críticas e questionamentos sobre a adequação da celebração em um local tão simbólico. A estrutura temporária foi projetada para acomodar cerca de 4 mil espectadores, com outros 85 mil previstos para assistir em telões gigantes na área próxima do Ellipse.
Uma Amizade de Longa Data e o Resgate do UFC
A realização do evento remonta a uma amizade de 25 anos entre Donald Trump e Dana White, presidente do UFC. Em 2001, quando White e seus sócios adquiriram a organização por US$ 2 milhões, o MMA enfrentava forte oposição política, chegando a ser proibido em 36 estados. O senador John McCain chegou a classificar o esporte como “rinha de galos humana”. Nesse cenário adverso, Trump cedeu seu cassino Trump Taj Mahal, em Atlantic City, para sediar dois eventos do UFC, um ato que, segundo White, foi crucial para a sobrevivência da organização. Desde então, com a implementação de regulamentações e regras mais rígidas, o UFC se transformou em uma potência global, avaliada em bilhões de dólares.
Estratégia Política e “Masculinidade Positiva”
O evento na Casa Branca é visto por alguns como uma estratégia calculada para alcançar um perfil demográfico importante para Trump: homens jovens, com menos de 30 anos, que historicamente têm sido um eleitorado fiel. Analistas conservadores sugerem que o evento pode promover uma mensagem de “masculinidade positiva” em resposta a tendências percebidas como “fragilidade introduzida pela extrema-esquerda”. Para defensores, os princípios do UFC, como a perseverança e a luta até o fim, representam o espírito americano.
Controvérsias e Acusações de Corrupção
A realização do UFC Freedom 250 não ocorreu sem controvérsias. Críticos levantaram preocupações sobre o uso de monumentos nacionais para fins privados e potenciais conflitos de interesse, dado o histórico financeiro de Trump com o UFC. Um processo judicial foi movido por um grupo de oposição, alegando “uso indevido e flagrante de nossos monumentos nacionais sagrados” e “corrupção”, citando a venda de pacotes de patrocínio e direitos de transmissão envolvendo a Casa Branca e o Lincoln Memorial. Embora Trump possua ações na TKO, empresa controladora do UFC, a Casa Branca negou irregularidades, afirmando que seus bens estão em um fundo fiduciário e que não há conflitos de interesse.
Custos, Segurança e Transmissão
O UFC declarou que está investindo US$ 60 milhões no evento, incluindo a restauração do gramado da Casa Branca. O custo com segurança nas esferas locais é estimado entre US$ 10 milhões e US$ 12 milhões, provenientes de fundos federais. O evento, que contou com 14 lutadores homens, teve como luta principal a defesa do cinturão peso-leve entre Ilia Topuria e Justin Gaethje. A transmissão nos EUA foi exclusiva pelo Paramount+, serviço associado a um aliado de Trump, e no Brasil, também pelo Paramount+ em pay-per-view.
Fonte: g1.globo.com